OK
Close

Sócio da OAS diz que Lula lhe pediu para destruir provas de propina

Brasil e Mundo

FOLHAPRESSBRASÍLIA | 20/04/2017-23:34:28 Atualizado em 22/04/2017-21:40:10
Arquivo | TODODIA Imagem
LULA | Ex-presidente nega afirmações de empresário

O empresário Léo Pinheiro, sócio da OAS, disse em depoimento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a ele em 2014 que destruísse provas de pagamento de propina para o PT.
Segundo Pinheiro, Lula e ele discutiam sobre pagamento de suborno em maio de 2014, dois meses depois de a Lava Jato ter sido iniciada.
Lula teria perguntado se a OAS pagava propina ao PT no Brasil ou no exterior, segundo o relato feito pelo empreiteiro. Pinheiro respondeu que pagava no Brasil.
O ex-presidente quis saber, então, se Léo Pinheiro mantinha os registros dos pagamentos feitos ao tesoureiro do PT à época, João Vaccari Neto. Pinheiro disse que "não costumava fazer isso".
Lula teria dito, segundo Pinheiro: "Você tem algum registro de algum encontro de contas, de alguma coisa feita com João Vaccari? Se tiver, destrua".
Em maio de 2014, a Operação Lava Jato tinha prendido o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, mas só chegaria aos donos das empreiteiras em novembro.
Condenado a 39 anos de reclusão e preso pela segunda vez desde setembro do ano passado, Pinheiro negocia um acordo de delação.
A defesa de Lula diz que a versão sobre destruição de provas é mentirosa e foi combinada com procuradores.
TRÍPLEX
Pinheiro prestou depoimento ao juiz Sergio Moro no processo sobre a reforma de um tríplex em Guarujá (SP), no qual ele e Lula são réus. O Ministério Público afirma que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em propina paga pela OAS, oriunda de contratos da Petrobras. O valor teria sido investido na reforma do tríplex.
O empreiteiro afirmou que o apartamento pertencia ao ex-presidente Lula.
A audiência foi tensa. Moro e o advogado de Lula elevaram o tom de voz e discutiram diversas vezes.
Segundo Pinheiro, foi Vaccari quem o procurou para participar do empreendimento onde foi construído o tríplex, o Condomínio Solaris, que era da Bancoop, cooperativa de bancários, até 2009. A OAS depois assumiu o empreendimento.
"Eu fiz uma ressalva que a empresa só atuaria em grandes capitais", disse Pinheiro. "Ele me disse: 'Olhe, aqui tem algo diferente. Existe um empreendimento que pertence à família do presidente Lula. Diante do seu relacionamento com o presidente, o relacionamento da empresa, nós estamos lhe convidando para participar disso'".
Pinheiro disse que procurou Paulo Okamotto, atual presidente do Instituto Lula, que confirmou a informação.
No depoimento, o advogado de Lula perguntou a Pinheiro: "O senhor entende que o senhor deu a propriedade desse apartamento para o ex-presidente Lula?".
O ex-presidente da OAS respondeu: "O apartamento era do presidente Lula desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop, já foi me dito que era do presidente Lula e sua família, que eu não comercializasse e tratasse aquilo como uma coisa de propriedade do presidente".
Pinheiro disse que usou dinheiro que seria desembolsado como propina para custear a reforma do apartamento e que Lula sabia disso.