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Marqueteiros dizem ter recebido caixa dois

Brasil e Mundo

18/04/2017-23:08:11 Atualizado em 18/04/2017-23:08:08

Os marqueteiros João Santana e Mônica Moura afirmaram em depoimento ao juiz Sergio Moro ontem que receberam recursos de caixa dois da Odebrecht nas campanhas de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.
"A relação da minha empresa com o grupo Odebrecht foi aberta durante a campanha de reeleição do presidente Lula. Na época, o ministro Antônio Palocci -que não era mais ministro- fez esse contato e uma parte do pagamento dessa campanha foi feita através da Odebrecht", afirmou Santana. Mônica Moura, mulher de Santana e responsável pela parte financeira da empresa dos dois, a Pólis Propaganda, não detalhou quanto foi pago em caixa dois em todos os casos, mas disse que "em todas as campanhas sempre trabalhamos com caixa dois".
Segundo ela, foram pagos cerca de R$ 10 milhões em conta no exterior pela campanha presidencial de Dilma em 2011 e também outros valores em dinheiro. "Não acredito que exista um marqueteiro no Brasil fazendo campanha com caixa um. Todos [trabalham] com caixa dois. Era uma exigência dos partidos", afirmou.
De acordo com a mulher de Santana, o ex-ministro Antônio Palocci era quem negociava no PT os recursos não contabilizados entre 2006 e 2012. Depois, quem assumiu o posto foi o ex-tesoureiro da legenda, João Vaccari Neto.
Eles foram presos em fevereiro de 2016, na 23ª fase da Operação Lava Jato, suspeitos de receber da Odebrecht e do lobista Zwi Skornicki dinheiro desviado da Petrobras.
O advogado de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, afirmou que "trata-se de informação que não é verdadeira".
Procurada pela reportagem, a ex-presidente Dilma afirmou que não irá comentar.
Os demais mencionados por Mônica Moura não responderam à reportagem até as 20h30.
| FOLHAPRESS