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Obras geraram R$ 152 mi para políticos

Brasil e Mundo

FOLHAPRESS RIO DE JANEIRO | 16/04/2017-21:07:06 Atualizado em 16/04/2017-21:06:55
Fabio Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil | Fotos Públicas
SÉRGIO CABRAL | Ex-governador teria recebido cerca de R$ 100 milhões em proprina de 2006 a 2014

Logo que Sérgio Cabral (PMDB) foi eleito governador do Rio, em 2006, um ousado plano de obras que prometia mudar a cara do Estado foi aos poucos tirado do papel.
As obras da reurbanização de favelas, com a construção de conjuntos habitacionais e saneamento, a expansão do metrô e até uma grande obra viária, que facilitaria o transporte de cargas na região metropolitana. Nesse bojo entrariam mais tarde as obras vinculadas à Copa do Mundo e a Olimpíada.
Segundo delatores da Odebrecht, as principais obras do Rio supostamente tiveram repasses de recursos ilegais com destino a Cabral e membros da elite política do Rio, como o atual governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), o ex-prefeito Eduardo Paes (PMDB) e o deputado federal Júlio Lopes (PP), do mesmo partido do atual vice governador Francisco Dornelles. Os envolvidos negam irregularidades.
Ao menos três delatores da Odebrecht citaram repasses, seja por meio de caixa dois em campanhas, seja por propina ou mesadas ao então governador. Somados, os valores atingem R$ 152,75 milhões, a maior parte dos quais repassada a Cabral.
A Odebrecht teve participação em obras como a reforma do estádio do Maracanã, a estação de metrô em frente ao estádio, a construção da Linha 4 do metrô, a obra do Parque Olímpico, o chamado PAC das Favelas, e a obra viária do Arco Metropolitano. Até mesmo as obras emergenciais de casas de vítimas do desastre da serra, em 2011, teriam tido desvios.
ELEIÇÃO
O delator Benedicto Júnior, BJ, presidente da Odebrecht Infraestrutura, afirma que em 2006 foi procurado por Cabral, ainda na condição de candidato ao governo. Ele teria dito que pretendia estreitar laços com a construtora, e ali foi acertado uma doação declarada de R$ 100 mil e outros R$ 3 milhões via caixa dois.
Após eleito, Cabral teria procurado a Odebrecht alegando ter uma fatura de R$ 12 milhões que teria sobrado para pagar de suas contas de campanha.
O executivo diz que inicialmente não concordou com o pagamento, mas como tinha interesses em obras no Estado, acertou que o valor seria pago em parcelas mensais de R$ 1 milhão.
Benedicto Júnior relata que três meses após eleito, os dois conversaram sobre "um grande plano de obras no Estado" que estaria sendo elaborado pelo governador, em reunião no Palácio Guanabara, sede do governo. Ali teria sido apresentado o plano de Cabral de cobrar 5% de propina de todos os contratos no Estado, pedido que desagradou a Odebrecht, relatou o delator.
"Eu falei 'governador, eu preciso primeiro ver os projetos. Nós temos uma agenda e não posso me comprometer antes de ver os projetos'", relatou Benedicto.
Cabral teria apresentado o primeiro projeto da parceria, o PAC da Favelas, que prometia a construção de conjuntos habitacionais, teleférico, planos inclinados e reurbanização de vias em locais como Rocinha, Alemão e Manguinhos.
Segundo a contabilidade da empresa, Cabral levou ao todo cerca de R$ 100 milhões em propina da empreiteira de 2006 a 2014.
A Odebrecht não aceitou o percentual de 5% exigido pelo governador. Os repasses eram, então, discutidos contrato a contrato.
O OUTRO LADO
A defesa de Sérgio Cabral disse que só irá se pronunciar nos autos do processo. O governador Luiz Fernando Pezão disse, em nota, que "nunca recebeu recursos ilícitos e jamais teve conta no exterior". Disse ainda que "as doações para a campanha foram feitas de acordo com a Justiça eleitoral".
O ex-prefeito Eduardo Paes negou que tenha aceitado propina para facilitar ou beneficiar os interesses da empresa Odebrecht e ressalta que nunca teve contas no exterior.
Júlio Lopes não foi localizado.