OK
Close

Reforma e ilha da fantasia

A sua opinião

Dirceu Cardoso Gonçalves | Tenente da PM e dirigente da Aspomil - 06/03/2017-21:23:27 Atualizado em 06/03/2017-21:43:52

Nesse momento em que o governo tenta aprovar a reforma trabalhista, luta pela explosiva reforma da Previdência e patina no desaparelhamento político das repartições públicas, a Câmara dos Deputados trabalha em sentido contrário.
Prepara expedientes que reduzem os cargos em comissão do funcionalismo efetivo, trocando-os por contratados sem concurso. A justificativa é que dos 3.124 servidores efetivos, 1.719 acumulam funções gratificadas e isso seria um exagero, pois alguns são chefes de si próprios e outros, mesmo em estágio probatório, já acumulam comissão.
Além dos 3.124 servidores concursados, a Câmara ainda registra em sua folha 11.792 ocupantes de cargos de confiança. Os efetivos recebem salários entre R$ 15.035 a R$ 28.801 mais comissões que vão de R$ 3.500 a R$ 9.430. Os cargo de confiança ganham entre R$ 936 e R$ 18.172. Justifica-se que as mudanças pretendidas não aumentarão o desembolso com pessoal, que permanecerá o mesmo, apenas com nova distribuição.
Quanto à forma de divisão, é poder discricionário da casa legislativa. Mas o valor dos salários pagos, de até R$ 38 mil mensais, é muito diferente do que recebem os trabalhadores brasileiros, mesmo os de boa remuneração no mercado. O número de servidores também espanta. São 14.916, para servirem a 503 deputados, ou seja, quase 30 por parlamentar. Imagina-se que não caberiam no prédio se todos resolvessem, um dia, comparecer à Câmara ao mesmo tempo.
É inegável que o parlamento tem atividades de alta complexidade e exige pessoal para desenvolvê-las. Mas tudo deve ter um limite e guardar certa similaridade com o mercado. Quando o governo pede o esforço do empresariado e da população, os trabalhadores são atropelados pela amarga reforma previdenciária, Brasília deveria também se esforçar e abrir mão de sua condição de ilha da fantasia. Afinal, o seu sustento vem de todos os quadrantes do país. Executivo, Legislativo e Judiciário também precisam cortar as suas gorduras...