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O Bruxo vai compartilhar os sonhos

Cultura e Entretenimento

guilherme mazieiro americana | 17/03/2017-23:14:06 Atualizado em 17/03/2017-23:14:03
Divulgação
HERMETO | Show às 20h30

O nome de Bruxo de Alagoas para um homem com fala doce e espírito libertário é só uma das excentricidades de Hermeto Pascoal, 80. O multi-instrumentista que já foi considerado o "maior do mundo" por Miles Davis - ícone do jazz - se apresenta hoje, às 20h30, no Teatro Castro Mendes, em Campinas. O espetáculo que será acompanhado pelo compositor Edson Zampronha e a Orquestra Sinfônica de Campinas faz parte do 4º Festival de Música Contemporânea Brasileira. As entradas são gratuitas.
O Bruxo traz novidades do seu trabalho "Mundos dos Sonhos" para Campinas. "É quase um pré-lançamento do meu disco novo. Mundo dos Sonhos, olha aí, que bonitão o nome. Lindo, né?", comentou gargalhando Hermeto, enquanto conversava com a reportagem do TODODIA na quarta-feira, na CPFL Cultura, no lançamento do festival. O disco será lançado ainda este ano, mas sem data específica.
Um dos nomes mais inventivos da música mundial, o alagoano não está preocupado em rotular estilos. Sem modéstia, reforça: "Se eu escutar o meu álbum não vou escutar o que escutei da primeira vez, porque ele é criativo. A música que eu faço, que chamo de 'Música Universal', é uma coisa abstrata. Porque não tem adjetivos, é inteligente", analisou em referência a "Slave Mass" (Missa dos Escravos, em tradução livre), álbum que o projetou no cenário internacional e completa 40 anos em 2017.
Insaciável, a criatividade de Hermeto é desproporcionalmente maior do que a gama de instrumentos convencionais. Em Slave Mass, há flautas, pianos, gritos, cantos de pássaros e até grunhidos de porco. "O porco é muito rico (musicalmente), ele tem harmônicos, ele tem tanta coisa lá nele", disse.
O universo musical do Bruxo vai além do reino animal e explora o sangue que carrega sob a pele albina e o volumoso cabelo branco. Hermeto faz música com tudo, de copo de café a camisa rasgada.
"O som do meu coração, tenho minha veia, uma dessas aqui", disse, procurando com a ponta dos dedos atrás da barba alva e fina, um pouco abaixo de onde bate o coração. "Ela (a veia) fala 'nélma'. O nome dela é 'nêuma', até eu escolhi: ou nêuma ou nélma, mas é nélma, porque é a minha veia. Você não acredita, mas é", comentou seriamente. Ele se referia à faixa "Nelma", a qual literalmente foi gravada com o som dessa veia e sons corporais, no álbum Hermeto Brincando de Corpo e Alma, de 2012.