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Com crise, casos de roubos têm aumento de 19,6%

Cidades

GUILHERME MAZIEIROREGIÃO | 18/03/2017-20:51:20 Atualizado em 18/03/2017-21:14:09

O aprofundamento da crise econômica no Brasil ocorreu simultaneamente a um aumento nos casos de roubos na RMC (Região Metropolitana de Campinas). Segundo dados da SSP (Secretaria Estadual de Segurança Pública) compilados pelo TODODIA, entre 2013, ano que precedeu o início da crise, e 2016, esses crimes cresceram 19,6%, passando de 14.906 para 17.836.
De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do governo federal, entre 2013 e 2016 o saldo entre contratações e demissões é de 68.254 desempregados na região.
O índice de roubos cresceu em 14 das 20 cidades da região entre 2013 e 2016 (veja quadro ao lado). Se comparados apenas os dois últimos anos, as taxas subiram em 15 municípios. De 2013 até o ano passado, os furtos cresceram 4,1%. Passaram de 34.592 para 36.012.
Os dados do Caged reforçam que na região foram fechadas 28,5 mil vagas em 2016. Na indústria, foram fechados 11,6 mil postos. No segmento de serviços, o total de demissões superou as contratações formais de trabalho em 10,5 mil vagas.
"O crescimento no número de roubos e a estabilidade no número de furtos pode estar associado ao aumento do desemprego na região, ainda que não exista uma pesquisa que informe esse dado especificamente para a Região Metropolitana de Campinas", comentou o professor da Unila (Universidade Federal da Integração Latino), Amilton Moretto, especializado em desenvolvimento econômico e economia social e do trabalho.
"Nos momentos em que a economia vai mal, torna-se importante a ação do governo em todos os níveis, mas sobretudo do federal, capaz de contrabalançar a queda da produção e, além disso, reforçando as políticas sociais, especialmente aquelas que apoiem as camadas com maior vulnerabilidade social", disse Moretto.
Economista especializado em mercado de trabalho, Guilherme Milian considerou que para se pensar fatores determinantes para a criminalidade deve-se levar em consideração a renda, nível de escolaridade, desemprego, pobreza e desigualdades sociais. "Por exemplo, como mensurar o 'custo moral' de se cometer um crime? Talvez, a rotatividade do mercado de trabalho brasileiro, ou seja, especificamente o tempo médio no desemprego, possa explicar o aumento da criminalidade. Mas não há consenso pleno sobre os determinantes da criminalidade", analisou.
"Pela falta de um estudo detalhado sobre a questão da violência na RMC, que abarcasse desde as principais variáveis de influência no aumento dos crimes, até os efeitos do gasto em segurança pública na criminalidade, há de se ter cuidado para não chegar a conclusões precipitadas", considerou Milian.