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É preciso investimento, diz coordenadora de curso

Cidades

GUILHERME MAZIEIROREGIÃO | 11/03/2017-20:13:46 Atualizado em 11/03/2017-20:51:31

Coordenadora do curso de Pedagogia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Debora Cristina Jeffrey vê na crise econômica um dos principais fatores para fuga de estudantes do sistema privado.
"Com certeza há aumento de demanda (nos órgãos públicos) e precisa-se de mais investimentos. Estamos na contramão do processo. Isso porque as prefeituras alegam que o compromisso é manter a estrutura que tem e tentar dar conta dos novos alunos", analisou.
Ela ainda considerou que uma legislação determina a obrigatoriedade de alunos de 4 a 17 anos estarem matriculados a partir de 2016. Para Debora, a medida também pode ter contribuído para o aumento de demanda. "Ao mesmo tempo, como alternativa, percebo que as secretarias municipais buscam parcerias público-privadas para diminuir esses impactos", acrescentou ela.
Um dos alunos que deixou uma escola privada para ir para a rede municipal é o garoto Felipe, 11. Este ano ele está matriculado no 6º ano escola Dulce Bento Nascimento, no bairro Guará, em Campinas. "Foi aflitivo no começo. Não sabíamos como ele iria reagir", contou o pai, Guilherme Leoneli, 40. A filha mais velha, Julia, 14, também mudou de turma e faz o 1º ano do colegial na escola estadual Culto à Ciência.
"A recepção e contato social que eles têm é o ponto mais positivo. Se dão bem com a turma, mas a qualidade do ensino é um pouco inferior. Eles já sabem conteúdo que não foram apresentados nas escolas públicas. Mas é uma balança: ganha de um lado e perde de outro", contou Leoneli. Ele relatou que os dois últimos anos abalaram as finanças dele e da mulher Fabiana Nonato, 42. O casal presta consultoria de projetos de pesquisa.
QUEDA NO PIB
O período citado é considerado por economistas como o pior da história republicana do País. O PIB (Produto Interno Bruto) de 2015 (-3,8%) e 2016 (-3,6%) derrubaram as perspectivas de crescimento econômico e implicaram em dificuldades para o caixa das prefeituras, que dependem de arrecadação de impostos.