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Refinaria clandestina é localizada

TODODIA Express

PEDRO HEIDERICH COSMÓPOLIS | 17/03/2017-00:03:01 Atualizado em 17/03/2017-00:03:19
Divulgação | Baep
OPERAÇÃO | Dois motoristas, pai e filho, que transportavam o petróleo até Cosmópolis foram presos; proprietários da refinaria clandestina ainda não foram localizados

O Baep (Batalhão de Ações Especiais da Polícia de Campinas) cumpriu mandados de busca e apreensão em Cosmópolis na última quinta-feira (16). A suspeita é de que há na cidade refinarias clandestinas de quadrilha que desvia há um ano combustível e petróleo furtados de dutos da Petrobras no Rio de Janeiro. A refinaria serviria para processar o óleo cru para revenda.
Dois motoristas, pai e filho, que transportavam o petróleo até Cosmópolis foram presos na manhã de quinta-feira pelo Baep em Campo Limpo Paulista, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo. Não foi divulgada a idade deles. A ação foi feita em apoio ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Rio de Janeiro.
A medida faz parte da Operação Ouro Negro, que visa desmantelar quadrilha que desviou por um ano combustível e petróleo furtado de dutos da Transpetro (Petrobras) na Baixada Fluminense até refinaria clandestina em Cosmópolis. Só em 2016, o grupo desviou cerca de 14 milhões de litros e causou prejuízo de aproximadamente R$ 33,4 milhões à companhia.
De acordo com o Gaeco de São Paulo, nas buscas na refinaria clandestina de Cosmópolis, foram localizados um milhão de litros de petróleo bruto. O órgão destaca que no Brasil este tipo de produto só pode ser armazenado pela Petrobras. O combustível foi apreendido. Os proprietários não foram localizados e as buscas continuam nos próximos dias.
A OPERAÇÃO
Segundo o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), responsável pelo Gaeco, o objetivo é cumprir 11 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão contra a quadrilha. Os mandados foram deferidos pela 3ª Vara Criminal de Duque de Caxias e são cumpridos no Rio, em São Paulo e Minas Gerais. Os Gaecos do MP-SP e MP-MG também apoiaram o trabalho.
Conforme relatado pelo MP-RJ, as diligências em São Paulo e Minas Gerais são acompanhadas por membros do Gaeco dos Ministérios Públicos daqueles Estados. O Núcleo de Inteligência para Derivações Clandestinas da Petrobras apoiou as investigações. Os denunciados são acusados de organização criminosa para furto do combustível e do petróleo cru.
De acordo com a denúncia, a quadrilha atuou entre junho de 2015 e março deste ano. As investigações apontam que eles utilizavam a técnica da trepanação, a instalação de uma derivação clandestina na tubulação perfurada sem necessidade de fechar o abastecimento do produto. As ligações clandestinas foram instaladas em vários terrenos no Rio de Janeiro.
Segundo o Gaeco-RJ, a organização era estruturada em três grupos, comandados pelo denunciado Denilson Silva Pessanha ("Maninho") ex-vereador em Duque de Caxias e chefe do núcleo Rio de Janeiro; por Acione Dantas de Souza, chefe do núcleo Minas Gerais; e por Renato Junior Santos de Oliveira, chefe do núcleo São Paulo.
Os dois últimos são apontados como receptadores do combustível furtado, que poderia ser gasolina, etanol, diesel, nafta ou o petróleo bruto. Além de ser responsável pela perfuração e retirada dos combustíveis, Maninho também era responsável por garantir o envio do produto para outros Estados, por meio de emissão de notas fiscais fraudulentas.
Conforme o Gaeco-RJ, outro denunciado, Roniery de Oliveira Alves, que era o braço-direito de Maninho, estabelecia rotas dos caminhos e conduzia os motoristas até os locais de perfuração. Adenir de Carvalho fornecia os caminhões e Sularman de Oliveira era responsável pela atividade da trepanação.
Os denunciados Jane Pereira e o ex-policial militar Carlos Alberto Ferreira eram proprietários de postos de combustíveis em Caxias e sabiam da origem ilícita do combustível. Ambos foram presos no Rio. Charles Augusto Ponciano e o falecido Maximiliano Calixto Oliveira eram responsáveis pelo arrendamento do terreno dos furtos e cuidavam da segurança do local.
Segundo o Gaeco, outros denunciados eram motoristas que recepcionavam os caminhões nos Estados e os dirigiam ao destino final. Alguns integrantes da quadrilha respondem por furto qualificado de combustível em processos isolados em Magé e Vila Inhomirim. Maninho responde por tentativa de homicídio e tortura em Duque de Caxias.