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Mercado externo barra carne brasileira

Brasil e Mundo

FOLHAPRESS BRASÍLIA, MADRI E BUENOS AIRES | 20/03/2017-22:44:52 Atualizado em 20/03/2017-22:44:26
Fabio Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil
MAGGI | Ministro diz que suspensão total seria "desastre"

O Ministério da Agricultura suspendeu a licença de exportação dos 21 frigoríficos que estão sob investigação na Operação Carne Fraca. O governo brasileiro permitirá, no entanto, que as mesmas fábricas continuem a vender o produto no mercado interno.
A suspensão das exportações foi anunciada após quatro mercados consumidores decidirem impor restrições à compra de carne brasileira. São eles: China, União Europeia, Coreia do Sul e Chile.
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que irá conversar com representantes desses mercados nesta semana para tentar evitar que o bloqueio atinja fábricas não atingidas pela operação.
Essas 21 unidades estão sob um "regime especial de fiscalização" do governo. "Não posso simplesmente acabar com nosso sistema produtivo por uma suspeição", disse Maggi. "Nenhum deles está na lista [da PF] por adulteração de produtos."
O ministro acrescentou: "São problemas de relacionamento de fiscais com donos de frigoríficos. Não dá pra dizer que a suspeição é sobre a qualidade de produtos".
A China decidiu reter em seus portos toda carne do Brasil, independentemente da fábrica de origem. Técnicos do ministério planejavam se reunir por teleconferência com os chineses na noite de ontem. "Esperamos que com essa conversa consigamos minimizar a situação".
Em relação à União Europeia, Maggi afirmou que a decisão foi de suspender as importações das 21 plantas sob suspeita. Destas, apenas quatro exportam atualmente para esse mercado. "Não há nenhuma retaliação por parte dos europeus, só preocupação", afirmou o ministro.
CERTEZA
A Comissão Europeia, braço Executivo da União Europeia, afirmou ter pedido que as autoridades brasileiras suspendam da lista de exportadoras ao bloco as empresas investigadas pela polícia, pedido que foi atendido. "Queremos certeza de que só carne com controle apropriado chegará ao mercado europeu", afirmou Enrico Brivio, porta-voz da comissão para assuntos de segurança alimentar.
A Coreia do Sul anunciou que decidiu intensificar as fiscalizações de carne de frango importada do Brasil e também baniu temporariamente as vendas de produtos de frango da BRF, maior produtora de carne de frango do mundo. A BRF afirmou que não foi notificada da decisão.
O governo brasileiro disse que ainda irá conversar com autoridades do Chile, pois não conseguiu entender a decisão do país. O ministro da Agricultura do Chile, Carlos Furche, anunciou a suspensão temporária da importação de "todo tipo de carne brasileira", bovina, frango e porco.
Segundo a Associação Chilena de Carne (ACHIC), 33,5% da carne bovina importada pelos chilenos vem do Brasil.
Maggi fez ameaças ao vizinho sul-americano e disse ter autorização do presidente Michel Temer para retaliar o Chile em relação às compras, por exemplo, de peixes e frutas. O ministro não fez ameaças a nenhum dos outros três importadores que restringiram compra de carne do Brasil. Outro importante mercado para o Brasil, a Rússia, ainda não se manifestou.
DESASTRE
Segundo Maggi, o governo corre contra o tempo para evitar perder mercados duramente conquistados. "Não podemos permitir o fechamento de mercados. Para reabrir, serão muitos anos de trabalho", disse. Para ele, uma suspensão total das vendas brasileiras de carne ao exterior seria "um desastre".
O ministro da Agricultura lembrou que as exportações brasileiras de carne somam cerca de US$ 15 bilhões por ano. "Não estamos preocupados somente com a balança comercial", disse. "O setor emprega 6 milhões de pessoas".
Questionado sobre se as empresas estão realizando embarques de exportações já acertadas para outros países nos últimos dias, o ministro declarou que o momento é de cautela.
"Eu pessoalmente não faria embarques nesses dias até se saber o que vai acontecer, principalmente com China", afirmou Maggi.