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Temer cria força-tarefa e vai à churrascaria

Brasil e Mundo

folhapress brasília | 19/03/2017-22:15:31 Atualizado em 19/03/2017-22:15:21
Pedro Ladeira | Folhapress
JANTAR | Temer foi à churrascaria Steak Bull, em Brasília, com embaixadores após reunião no Planalto

O presidente Michel Temer criou uma força-tarefa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que já colocou os 21 frigoríficos envolvidos na operação da Polícia Federal Carne Fraca sob "regime especial de fiscalização". A anúncio foi feito durante encontro com os embaixadores dos 33 países que mais importam carnes do Brasil ocorrido ontem no Palácio do Planalto.
Temer quis acalmar os embaixadores que, no final, foram convidados para participar de um churrasco em uma das mais procuradas casas de Brasília (DF). Eles jantaram logo em seguida.
O presidente apresentou números para mostrar que os casos investigados pela PF são pequenos e pontuais para comprometer o sistema brasileiro de fiscalização. China, União Europeia e EUA já tinham pedido de explicações ao Ministério da Agricultura na sexta-feira.
"Tomamos várias deliberações no dia de hoje (ontem). A primeira delas é que decidiu-se acelerar o processo de auditoria nos estabelecimentos citados na investigação da Polícia Federal", disse Temer. "Não é o sistema de defesa agropecuária que está sendo investigado, mas alguns poucos desvios, de alguns poucos funcionários, de algumas poucas empresas."
Em posse de um relatório preparado pelo Ministério da Agricultura, o presidente reclamou da divulgação do caso pela PF citando vários números. "Temos 4.837 unidades sujeitas à fiscalização no país. E 21 supostamente envolvidas em irregularidades. Isso é um mínimo sobre o tanto de plantas frigoríficas em nosso país."
A operação deflagrada pela PF foi a maior de sua história e revelou que empresas do setor, incluindo as as gigantes JBS e a BRF, adulteravam a carne que vendiam no mercado interno e externo.
"ERROS TÉCNICOS"
O governo brasileiro afirmou que a Polícia Federal cometeu erros técnicos na investigação que deu base para a operação Carne Fraca.
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que a apuração aponta problemas em práticas que, na verdade, são permitidas por leis e regulamentos do setor. Ele disse que houve um questionamento ao diretor-geral da Polícia Federal sobre a condução do inquérito.
Maggi contestou três dos assuntos que mais repercutiram após a operação, sobre a utilização de: ácido considerado cancerígeno na mistura de alimentos, de papelão em lotes de frango e também o da carne de cabeça de porco, que a polícia diz ser "sabidamente proibida".
"Essa questão do papelão, está claro no áudio que estão se falando de embalagens e não falando de misturar papelão na carne. Senão é uma idiotice, uma insanidade, para dizer a verdade. As empresas brasileiras investiram alguns milhões, milhões e milhões de dólares dos seus mercados, há mais de dez anos, para consolidar mercado, e aí você pega uma empresa que é exportadora e vai dizer que misturou papelão na carne? Pelo amor de Deus. Não dá para aceitar esse tipo de situação", declarou o ministro.
De acordo com o chefe da pasta, "está escrito no regulamento" que a carne de cabeça de porco pode ser utilizada. Ele também afirmou que o ácido ascórbico, divulgado como cancerígeno, "é vitamina C e pode ser utilizado em processos".