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Frigoríficos pagavam propina para vender carne podre, diz PF

Brasil e Mundo

FOLHAPRESS CURITIBA E BRASÍLIA | 17/03/2017-23:32:41 Atualizado em 17/03/2017-23:32:39
Paulo Lisboa | Brazil Photo Press)
GONÇALVES | Suposto líder; fiscais e executivos foram presos

A maior operação já deflagrada pela Polícia Federal, ontem, atingiu a imagem dos maiores frigoríficos do País e aponta que eles pagaram propina a fiscais do Ministério da Agricultura para liberar produtos estragados e com certificados sanitários adulterados.
Foram mobilizados 1,1 mil policiais em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal.
Em nota, a Polícia Federal afirma que detectou em quase dois anos de investigação que as superintendências regionais do Ministério da Pesca e Agricultura dos Estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam para proteger empresas, prejudicando o interesse público.
A investigação tem como alvo 32 empresas, incluindo a JBS, dona das marcas Friboi, Seara e Big Frango, e a BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. Dois executivos da BRF e um funcionário da JBS foram presos pela polícia. Foram levados à prisão, em caráter preventivo e temporário, 19 fiscais que fariam parte da organização criminosa identificada pela PF. O Ministério da Agricultura disse que interditou unidades de três empresas investigadas e que afastou 33 servidores envolvidos com o esquema. Foram fechados m frigorífico da BRF em Mineiros (GO), suspeito de exportar carne com salmonela à Europa, e duas unidades de embutidos da Peccin Agroindustrial, em Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba (PR).
Segundo os investigadores, os fiscais liberaram em alguns casos até a venda de carne estragada, disfarçada com ácido sórbico, um conservante potencialmente cancerígeno), a reembalagem de produtos vencidos e o uso de cabeça de porco e até papelão na produção de embutidos. A PF afirma que os frigoríficos exerciam influência no ministério para escolher os servidores que ficariam responsáveis pela fiscalização de suas unidades. Executivos da BRF tinham acesso inclusive a uma senha para entrar no sistema interno dos processos administrativos do órgão, de acordo com a polícia.
O líder do esquema, segundo a PF, era o fiscal Daniel Gonçalves Filho, que foi superintendente do escritório do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016. Peças de picanha, frango, ração para animais e botas foram distribuídas a fiscais, disse a polícia.
O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, foi citado na investigação. Ele aparece numa conversa interceptada pela operação conversando com o suposto líder do esquema criminoso, chamando-o de "grande chefe". A PF, porém, não encontrou indícios de ilegalidade na conduta do ministro, que não é investigado.