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Otimismo na medida

Opinião

Paulo Skaf | Presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em São Paulo - 28/02/2017-21:13:19 Atualizado em 28/02/2017-21:13:17

Há quase um ano, quando afirmei pela primeira vez que a confiança estava voltando a tomar conta do Brasil, muitos acreditavam que era excesso de otimismo. Na verdade, era uma crença, na medida certa, na competência e na garra dos brasileiros que constroem esta Nação.
E os dados que Sebrae-SP divulga nesta semana demonstram que a leitura estava certa. Após amargar quase dois anos de caixa no vermelho, os pequenos empresários paulistas mantiveram a expectativa positiva quanto à economia e à sua atividade ao longo de todo 2016. Mais que esperar, trabalharam para não encerrar as portas e, com elas, o sonho de construir um negócio de sucesso.
Em dezembro veio a resposta: expansão de 7,6% no faturamento real sobre dezembro de 2015, interrompendo uma série de 23 meses de quedas na receita. Foi a maior taxa registrada num mês de dezembro desde 2010. Na comparação com novembro, o aumento foi maior: 10,3%. Com isso, em 2016, a receita total dos pequenos negócios foi de quase R$ 600 bilhões.
A injeção de recursos - pequenos negócios totalizaram quase R$ 600 bilhões em 2016 - teve reflexo imediato nas expectativas dos empresários: 40% acreditam que a economia vai continuar evoluindo bem nos próximos seis meses (em janeiro de 2015, apenas 18% acreditavam nisto) e 35% esperam aumento da receita, contra 22% que apostavam nisto em janeiro de 2015. Este é o nono mês consecutivo de otimismo na base do setor produtivo.
Para que este momento se replique por muitos outros meses e o lucro comece a aparecer, é a hora de preparar-se mais e melhor. Nesta semana, os empresários e futuros empreendedores terão a oportunidade de vivenciar as melhores práticas de gestão e conhecer ótimas oportunidades de negócios durante a Feira do Empreendedor 2017 do Sebrae-SP, que acontece de 18 a 21 de fevereiro.
O maior evento de empreendedorismo do Brasil cresceu: são 40 mil metros quadrados de área, 440 expositores, centenas de palestras e oficinas, 150 mesas de orientação e consultoria. Além da possibilidade de conhecer as tendências em inovação, comércio internacional, financiamento. Tudo gratuito e focado nas necessidades dos pequenos negócios e futuros empreendedores.
Após o término da feira, todo este conteúdo está acessível na rede de atendimento do Sebrae-SP, seja de forma presencial, em mais de 120 pontos de atendimento, ou virtual, via 0800, portal, chats, ensino a distância, mídias sociais.
Sabemos que para realizar bem o projeto do negócio próprio não basta confiar e ter competência técnica e gerencial. É preciso que o ambiente para empreender esteja mais amigável.
Já foram dados passos importantes, como a redução dos gastos públicos, o encaminhamento das reformas previdenciária e trabalhista, a atualização do Simples. Porém, é preciso mais para reverter o quadro lastimável apontado no relatório do Banco Mundial, Doing Business 2016, que coloca o Brasil no 123º lugar (de 190 posições) do ranking. Nossas piores notas foram para o item pagamento de impostos (181º lugar) e burocracia (175º lugar).
Em 2017, vou trabalhar, na medida, para que os pequenos negócios fechem as contas no azul e que o Brasil dê sinal verde para os empreendedores que produzem e empregam. Essa é nossa crença.