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Esquema Crefisa

Lance Livre por Claudio Gioria

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 25/02/2017-00:02:46 Atualizado em 25/02/2017-00:37:50

O ex-goleiro corintiano Ronaldo foi apenas um que tuitou Esquema Crefisa, acompanhado de cinco interrogações meio que se justificando que apenas questionava, e não sentenciava que dinheiro compra tudo. Como se fosse um atenuante.
Irresponsabilidade reproduzida por uma infinidade de torcedores, afinal vivemos em uma democracia e todos têm direito a se manifestar, mesmo que com insinuações e acusações completamente vazias.
Ronaldo era goleiro do Corinthians na época em que se propagou o tal Esquema Parmalat. Naquela desastrosa arbitragem de José Aparecido de Oliveira, na final de 1993, foi expulso corretamente, diferentemente de Gabriel na quarta.
A Parmalat havia desembarcado no Palmeiras com um caminhão de dinheiro para montar um dos melhores times da história do clube. Tirou o time da fila com um título atrás do outro. E a cada erro de arbitragem a favor do Palmeiras, em uma época sem redes sociais, vinha à tona o tal Esquema Parmalat, com a mesma mensagem subliminar de que o dinheiro tudo compra.
Nunca provou-se nada, que a Parmalat tenha comprado juiz, federação, bandeirinha, adversário e sabe-se lá mais o que.
Mas a expressão Esquema Parmalat ficou marcada. Tanto que volta agora com novo protagonista porque o Palmeiras agora tem a sua segunda Parmalat.
Diferente, é verdade, mas também com um caminhão de dinheiro. Desperta o ódio dos rivais ao ir no mercado escolhendo quem contratar sem pensar muito em quanto vai gastar, embora o nível das contratações (sem desmerecê-las) não chega nem perto dos reforços da era Parmalat. O nome desse patrocinador é Crefisa. Empresa de crédito.
Ter dinheiro para muitos é pecado, embora todos queiram ter. E quem tem, ainda pela sabedoria popular, geralmente não conseguiu honestamente e é capaz de produzir esses tais esquemas, afinal, na cabeça de muita gente, não há nada que o dinheiro não compre.
Por isso toda essa ladainha de novo vem à tona, alimentada pelos torcedores "prejudicados", que agora têm à sua disposição canais para botar a boca no trombone, as redes sociais.
Mas torcedor não pode tudo?
Não. Ele acha que pode, mas não pode.
Não pode sair por aí propagando em redes sociais que uma empresa comprou o juiz, a federação, mesmo que seja uma acusação travestida de brincadeira. Não pode colocar em dúvida a idoneidade de uma empresa. Não pode colocar em dúvida a honestidade de um árbitro. Não se pode fazer nada disso sem prova, mesmo que você seja um ilustre torcedor desconhecido de uma zona rural de Sertãozinho. É crime do mesmo jeito.
Mesmo porque você acha mesmo que um árbitro do tal Esquema Crefisa iria protagonizar um erro tão bizarro quanto o que Thiago Peixoto protagonizou, que não só o marcará para o resto da carreira como também lhe renderá uma justa longa geladeira?
Você, que reproduz Esquema Crefisa, na verdade sabe que o árbitro não foi comprado, mas não resista ao #esquemacrefisa.
Brincadeira tem limite, mesmo nesse mundo de hoje que perdeu alguns dos padrões básicos de comportamento. Tem limite porque repetida milhões de vezes, se torna verdade para muitos. E para ser repetida um milhão de vezes hoje em dia, poucos minutos bastam, o que pode injustamente acabar com a reputação de uma empresa, com a vida de uma pessoa.
Afinal, até hoje tem quem acredita que o Brasil entregou a final da Copa de 1998 para a França em troca de ser sede do Mundial. E há quase 20 anos a reprodução de bobagens como essa e Esquema Crefisa era um milhão de vezes mais lenta que hoje.
Mas ninguém liga para isso hoje em dia. O importante hoje é falar, opinar, reclamar, linchar, acusar, sentenciar... E que se dane se alguma injustiça for cometida com alguém, afinal estamos respaldados pelas curtidas e compartilhamentos.

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