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Festa frustrada e juiz armado no Décio Vitta

Esportes

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 28/01/2017-00:06:10 Atualizado em 28/01/2017-00:34:41

É o Nacional o primeiro obstáculo deste novo Rio Branco, hoje, no Nicolau Alayon.
Um Rio Branco que aos poucos tenta se aproximar novamente de sua torcida, da cidade de Americana. Um Rio Branco que tenta deixar para trás um turbulento período repleto de política, forasteiros e sanguessugas. Um Rio Branco que volta a ter empresas da cidade estampadas em seu uniforme. Que volta a ter gente que gosta do clube. Um Rio Branco que volta a ser dono do Décio Vitta, que um dia até tentaram transformá-lo, sem sucesso (ainda bem), em um estádio de dois clubes.
Um Rio Branco que tenta retomar um pouco aquela identidade dos já longínquos anos 80. Anos em que o Nacional, esse mesmo adversário de hoje, era um rival rotineiro naquela interminável, mas apaixonante, segunda divisão, para onde os dois tentam a partir de hoje voltar.
Nacional que gostava de derrubar técnicos do Rio Branco.
Foi assim em 1979, no segundo amistoso do Tigre após sua volta ao futebol, após derrota por 2 a 0 no Décio Vitta. Boca pediu a conta, Henrique Passos chegou.
Foi assim duas vezes em 1981. Primeiro com uma derrota por 2 a 1 pela segundona que custou o emprego de Aníbal. Fred Smania, o eterno preparador físico do Rio Branco, assumiu interinamente. E novamente depois de uma derrota por 1 a 0 no palco do duelo de hoje. Muca perdeu o emprego e Carlos dos Santos, ex-zagueiro já falecido, então supervisor, ganhou uma chance.
O Nacional marca ainda duas grandes passagens da história do Rio Branco. Uma engraçada - porque no final das contas não deu em nada - e outra frustrante. Ambas daquelas folclóricas.
Em 1981, o Nacional era o lanterna do grupo do Rio Branco na Segunda Divisão. Só oito pontos. O Tigre tinha 18, assim como o Santo André, que liderava por ter dois gols a mais no saldo. Última rodada, para definir o campeão do turno. Rio Branco x Nacional.
O Décio Vitta recebeu o maior público desde sua inauguração (12.008) e quando o falecido árbitro Roberto Nunes Morgado encerrou o jogo, a torcida invadiu o campo para comemorar a vitória por 1 a 0 e o título do 1º turno, porque no mesmo horário o Santo André só empatava em 1 a 1 com o Saad.
Foram cerca de cinco minutos de festa com os jogadores, até que veio a notícia: gol do Santo André, do atacante Lance (aquele mesmo que jogou no Corinthians) aos 49min do segundo tempo. Foi um dos mais tristes dias da história do Décio Vitta.
Seis anos se passaram e Rio Branco e Nacional estavam novamente frente a frente no Décio Vitta. Em campo, o Nacional venceu por 1 a 0, jogo normal, meio de campeonato.
Mas um acontecimento antes dele marcou aquele confronto. O roupeiro Peixe Gato, até hoje no Tigre, tentou, digamos, dar aquela "intimidada" no juiz Hélio Samarrenho, pedindo que "apitasse sem favorecer ninguém". Como resposta, ganhou um tapa no peito.
O tempo esquentou e Peixe Gato armou-se com um pedaço de madeira. Como resposta, Samarrenho sacou um revólver. Sim, o juiz levou um revólver (imagine como era a Segundona à época).
Houve pânico no vestiário e a turma do "deixa-disso" acalmou a situação. Arma guardada e jogo sem maiores problemas.
Dois pitacos...
PARABÉNS
Confesso que me surpreendi. Não pelas pessoas que hoje estão à frente do Rio Branco, muito pelo contrário. Mas quando vi que o clube, através do Dado Salau, homem forte do futebol, divulgou os valores que o clube arrecadou com o jantar desta semana (R$ 38,3 mil, sendo R$ 30 mil livre para o clube) e que iria usar o dinheiro para pagar salário de jogadores, tive a certeza de que algo muito bom está em curso no clube. Recuperar a credibilidade de uma marca tão forte quanto o Rio Branco passa muito pela transparência, historicamente um artigo de luxo no Décio Vitta.
VALE MADRUGAR...
Nadal x Federer, Venus x Serena. Quatro dos maiores nomes da história do tênis. Mas se alguém cravasse essas duas finais no primeiro Grand Slam do ano, ouviria alguma pergunta do tipo: "Que ano você acha que estamos?" Que me desculpem Wawrinka e Dimitrov, mas depois que Murray e Djoko caíram, não conheço um que gosta de tênis que não alimentou a esperança de ver um novo capítulo em uma decisão importante da talvez maior rivalidade da história do tênis. Vale madrugar amanhã...

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