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Nado 'cachorrinho' na Copa 2026

Lance Livre por Claudio Gioria

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 13/01/2017-22:33:13 Atualizado em 14/01/2017-00:18:02

Como não tenho pretensão de ficar alguns anos como presidente da Fifa...
Como não tô nem aí se o presidente da Fifa é esse ou aquele...
Como não quero saber se a Fifa vai ganhar alguns milhões - ou bilhões - a mais...
...acho uma grande porcaria a Copa do Mundo inchada em 50%.
Gianni Infantino segue exatamente os mesmos passos de João Havelange, que inchou a Copa de 16 para 24 e depois para 32, em busca de apoio político para se manter no poder. E se manteve.
Essa mistura de interesses políticos com o esporte não costuma ser muito salutar. Pelo menos para o lado esportivo da moeda, que é o que me interessa e certamente interessa a 99% de quem lê essas linhas.
Copa do Mundo é sinônimo de excelência. As melhores seleções de cada continente. Os melhores jogadores. E optar por ver essa excelência ser deteriorada por interesses político-financeiros travestidos de "falsa democratização" do esporte é um grande tiro no pé, pois afeta diretamente a qualidade daquilo que a Fifa quer vender.
Você vê a excelência se deteriorar a partir do momento em que qualquer um tem grandes chances de disputar o torneio. Se a Fifa tem 211 filiados, quase um quarto estará na Copa do Mundo de 2026. É muita coisa. Não tem tanta excelência assim por aí no futebol.
Eu não assisto Copa do Mundo ansioso para ver como anda o futebol de Honduras. Eu até vejo Honduras jogando (só na Copa), mas pelo simples motivo de que ela fez alguma coisa relevante para estar entre os melhores. Foi um dos melhores em seu quintal. A partir de 2026, teremos Honduras, sem merecer tanto assim, desfilando entre a nata do esporte talvez com uma constância muito além do razoável.
Copa com 48 seleções me faz lembrar do Brasileiro de 79 com 94 clubes (onde a Arena vai mal, mais um clube no nacional).
Copa com 48 seleções me faz lembrar daquele nadador de Guiné Equatorial, Eric Moussambani, que ganhou as manchetes do mundo ao nadar nos Jogos Olímpicos de 2000 terminando uma eliminatória dos 100m livre, a mais clássica prova do programa olímpico, ao melhor estilo "cachorrinho".
Eu, com meus mais de 90 quilos, meus mais de 40 anos, não nado "cachorrinho". Mas o simples fato de não nadar "cachorrinho" obviamente não me credencia a disputar a maior competição do planeta. Imagine então como deixaram um "atleta" fazer isso em uma Olimpíada.
Moussambani nunca havia nadado numa piscina de 50m (tamanho olímpico) na vida. Tinha treinando apenas oito meses em uma piscina de um hotel. E demorou 1min52s72 para completar uma prova que os nadadores de ponta (aqueles que disputam Olimpíadas) nadam abaixo de um minuto desde 1922.
Definitivamente, Olimpíada não é lugar para se nadar "cachorrinho".
Pois Infantino caminha para fazer da Copa do Mundo um terreno propício para o surgimento de novos Moussambanis, agora no futebol. Sorte dele que o futebol tem 90 minutos regulamentares, caso contrário os novos Moussambanis nos brindariam na mais importante competição monoesportiva do mundo com espetáculos na casa dos 245 minutos de algo que pouco se parece com futebol de primeiro nível. Assim como nadar "cachorrinho" nada tem a ver com natação olímpica.