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Rogério Ceni desafia a história

Lance Livre por Claudio Gioria

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 06/01/2017-22:51:14 Atualizado em 06/01/2017-23:49:37

Rogério Ceni é indiscutivelmente um dos maiores ídolos da história do São Paulo. Para muitos, o maior deles. Além de tudo o que fez dentro de campo, pesa nessa análise a carreira praticamente toda com a camisa do Tricolor.
Como Pelé no Santos. Como Ademir da Guia no Palmeiras. Como Zico no Flamengo.
Destes três, os dois primeiros não seguiram a carreira de técnico. Zico seguiu, e já disse mais do que uma vez que nunca treinaria o clube do coração. "Não gostaria de misturar as coisas", justifica-se o maior ídolo que o Flamengo já teve.
Não são tão raros os casos de grandes jogadores que tentam repetir no banco a idolatria que tiveram em campo com a mesma camisa. Raros são os casos de um sucesso mínimo que seja no futebol paulista, o que obviamente não é uma sentença para Rogério, apenas uma constatação de fatos.
No próprio São Paulo, dá para elencar três ídolos-jogadores que não tiveram sucesso no comando do time. Leônidas da Silva, um dos maiores símbolos do Tricolor, parou de jogar em 1950 e logo seguiu a carreira de técnico no clube. Foram três passagens, nenhum título, relacionamento difícil e a carreira abandonada para virar comentarista.
Mais recentemente, Dario Pereyra, um dos maiores zagueiros que eu vi jogar. Estreou como técnico justamente no clube onde foi ídolo, nove anos depois após deixá-lo como jogador. Duas temporadas e nada deu certo.
Poy, goleiro como Rogério, fez mais de 500 jogos como atleta e, dois anos depois de parar, estreou como técnico do clube. Foram mais 421 jogos, várias passagens e apenas um título, o do Paulista de 1975.
O Palmeiras também teve alguns casos semelhantes, como os de Bianco, Dudu, Fedato, Leão e Valdir de Moraes. Nenhum como uma idolatria parecida com a de Rogério no São Paulo, mas que chegaram a ter seus momentos de ídolo no clube, principalmente Leão. Os três últimos passaram em branco no banco. Os dois primeiros somam juntos três títulos estaduais, nada que tenha deixado alguma marca.
Um das maiores linhas que o Corinthians já teve começava com Cláudio-Luizinho-Baltazar. Três dos maiores ídolos da história do clube. Três que tiveram passagens apagadíssimas como técnicos do Timão. Zé Maria, o Super Zé, foi outro, treinando por pouco tempo antes de voltar a jogar.
Os três ídolos do clube que melhor se saíram foram Neco (um título paulista), Rato (dois títulos paulistas e um do Rio-São Paulo) e Del Debbio (três estaduais).
Santos?
Jair Rosa Pinto, Mauro Ramos de Oliveira, Ramos Delgado, Coutinho, Mengálvio, Clodoaldo e Serginho Chulapa. Todos ídolos como jogadores e todos técnicos sem sucesso no clube.
Melhores foram Antoninho e Pepe. O primeiro faturou dois estaduais e uma Recopa como comandante do Peixe. O segundo, que assumiu o time juvenil do Santos logo depois de parar de jogar no clube, foi campeão paulista em 1973, cinco anos antes do estadual conquistado sob o comando de Chico Formiga, que viveu seus momentos de ídolo no Peixe como jogador nos anos 50 e 60.
O goleiro que desafiou os limites da grande área agora tem a dura missão de desafiar a história.