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'Parecia um cenário de guerra'

Cidades

GUILHERME MAZIEIRO CAMPINAS | 02/01/2017-22:09:31 Atualizado em 02/01/2017-22:09:22

Um dos sobreviventes da chacina que deixou 12 pessoas mortas, na noite de Réveillon, em uma casa de Campinas, relatou que "parecia um cenário de guerra" o local do crime. Ele ainda contou que sua mãe tentou acalmar o atirador, mas acabou sendo assassinada com um tiro na boca por ele.
As vítimas da chacina cometida pelo técnico em laboratório Sidnei Ramis de Araújo, 46, foram enterradas na manhã de ontem, em Campinas. Centenas de amigos acompanharam o velório e o sepultamento, no Cemitério da Saudade. O sepultamento de Sidnei Araújo aconteceu também pela manhã, em um Cemitério de Jaguariúna. A chacina aconteceu na noite de sábado para domingo, minutos antes da virada do ano. O assassino se matou após o crime.
As investigações da Polícia Civil indicam que as mortes foram motivadas por uma disputa judicial sobre a guarda de João Victor Filier de Araújo, 8. A criança era filha de Sidnei com sua ex-mulher, Isamara Filier, 41. Os dois integram a lista das 12 pessoas mortas.
Três baleados escaparam com vida, sendo que dois estão internadas em condição estável. A terceira pessoa baleada, Luiz João Batista, 58, teve alta do HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Outras quatro pessoas (dois adolescentes, uma mulher e um bebê) não foram atingidos
Abalado, se recuperando dos ferimentos, Batista acompanhou o enterro de cadeira de rodas e descreveu cenas de horror que presenciou. Ele foi atingido por um tiro de raspão no peito e outro na virilha. "Sorte que o tiro que entrou pela virilha saiu pela coxa e não provocou muito sangramento. Aquilo foi um horror. É um horror, uma tragédia", lamentou, se referindo ao episódio que aconteceu na casa de sua família, na Rua Pompilio Morandi, no Jardim Aurélia.
Batista perdeu a mãe, Luzia Maia Ferreira, 86; a filha Carolina de Oliveira Batista, 26; as irmãs Antônia Dalva Ferreira de Freitas, 62, Abadia das Graças Ferreira, 56, e Ana Luiza Ferreira, 52; as sobrinhas Liliane Ferreira Donato, 44, Alessandra Ferreira de Freitas, 40, e Larissa Ferreira de Almeida, 24. As outras vítimas são o irmão de Isamara, Rafael Filier, 33, e Paulo de Almeida, 61.
Batista contou que Sidnei atirava contra a família e lhe atingiu no peito, depois na virilha. Ele disse que sua mãe, Luzia, tentou acalmar o atirador no seu quarto. "Ela tentou acalmar, conversar com ele (Sidnei), mas ele deu um tiro na boca da minha mãe e depois foi para a cozinha", contou. Batista conseguiu fugir pulando um muro da casa. O prefeito Jonas Donizette (PSB) decretou luto de três dias.