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Escolha um presidente

Um pouco mais... por George Aravanis

George Aravanis | Editor executivo do jornal TODODIA - 16/12/2016-00:40:24 Atualizado em 16/12/2016-00:41:20

Vamos supor, apenas supor, que você é uma espécie de rei, imperador, dono do Brasil. Sua missão é escolher o presidente do País. Sem eleição, consulta, referendo, nada, nada, nada. Sua palavra é a lei, ao melhor estilo Luís 14.
Vamos supor, ainda, que você seja honesto. Quer, vá lá, o bem do Brasil e deseja que o escolhido compartilhe do mesmo hábito. Como é você quem manda, pode escolher entre parentes, amigos, ex-professor que te inspirou na vida, ex-capitão do time da escola, até entre políticos profissionais. Em síntese, sua missão é eleger (sem necessidade de votos) alguém incorruptível e ao mesmo tempo com culhões suficientes para agir sem hesitação ante qualquer indício de favorecimento, falcatrua e malfeitos afins.
Já pensou?
Aqui na redação, apenas uma pessoa teve a coragem de apontar um conhecido incorruptível e destemido o suficiente para pôr ordem no pardieiro (indicou o próprio pai), alguém para quem os valores morais básicos estão, ainda, acima da famigerada "regra do jogo".
Já escolheu seu presidente de honestidade inquebrantável e coragem quase suicida?
Se conseguiu - te invejo por isso -, passemos então ao ministério. Nas minhas regras, não é o presidente, e sim você quem tem de escolher os auxiliares do homem.
Arranje mais vinte e poucas fortalezas de princípios em forma humana. Se desistiu da brincadeira porque perdeu a graça, te entendo.
O problema, então, é o brasileiro? Logo esse povo trabalhador, guerreiro e justo, o melhor elemento do Brasil? Será o clima que torna tão difícil escolher entre tanta gente um punhado, apenas um punhado, de humanos justos?
Será que o calor tropical influencia, amolece o rigor consigo à mesma medida que o frio dos países escandinavos endurece os valores culturalmente associados à nobreza humana?
Idiotices à parte, prefiro imaginar que não se pode esperar do homem que seja um rebelde dogmático contra os hábitos de seu tempo. A corrupção não deixa de ser um hábito, um grande e onipresente hábito. E se esse hábito não faz parte do teu mundo, apenas te invejo de novo - embora você talvez more no inverno impraticável dos países escandinavos.
Mas, então, o que fazer se quase ninguém se salva? - ou melhor, se quase ninguém se salva segundo nossa idealização do herói público.
O básico. Revelações, prisões, tolerância zero, recompensas por denúncias, tudo que for possível para que o hábito travesso se torne, afinal, algo de envergonhar a família na macarronada de domingo.
Não se pode esperar que o homem seja um rebelde contra os hábitos de seu tempo, mas quem é que disse que hábitos não mudam?
E esqueci de mencionar: você poderia ter escolhido você mesmo para presidente. Quer mudar a resposta?