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Rio Branco 2017

Lance Livre por Claudio Gioria

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 09/12/2016-23:24:04 Atualizado em 10/12/2016-00:42:28

Se 1968 foi o ano que não terminou, 2016 é o ano que precisa terminar logo.
Não vou aqui listar os motivos, porque não se compara alhos com bugalhos, mas aqueles famosos cadernos de retrospectivas, um dia tão tradicionais em jornais impressos, hoje em extinção, causariam uma tremenda depressão no leitor. Ou produziriam aquele "ufa, acabou".
Aqui pelas nossas bandas, não foi também um bom ano para o futebol do Rio Branco, o primeiro sob o comando de Valdir Ribeiro. O sofrimento pelo segundo rebaixamento à Série A-3 até foi sendo diluído ao longo do torneio e, quando de fato se concretizou, todo mundo já sabia que não tinha mais jeito. Mas não deixa de doer para o torcedor o fato de que, em cinco anos, o time tenha despencado duas vezes para a terceira divisão estadual.
Depois veio a compreensível desistência da Copa Paulista. Compreensível apenas para um primeiro ano de mandato, com a casa bagunçada, aquele caos todo com a saída de um grupo que reinou por anos nas entranhas do clube mais tradicional de Americana que, diga-se de passagem, não é de tempos recentes que tenha virado uma grande caixa-preta. A partir do ano que vem já não é mais aceitável o Rio Branco jogar apenas três meses no ano.
Mas nas viradas de anos normalmente renovam-se as esperanças. Tentamos deixar para trás o que não deu certo, aprender com os erros e olhar pra frente. E os ares no Rio Branco neste fim de ano, que para o futebol do interior representa o início da próxima temporada, são outros.
Vejam só.
Estamos em início de dezembro, crise econômica generalizada, e o Rio Branco já treina com boa parte do elenco (há quanto tempo você não via isso?). Além disso, anunciou um patrocinador, a Sanfarma. Anunciou através de Dado Salau, um colaborador-diretor-torcedor que voltou ao clube após um pedido de Sandro Hiroshi.
É aqui que tudo mudou.
Credibilidade é tudo, já escrevi aqui certa vez. O passado recente do Rio Branco deixou sequelas em sua credibilidade. Como recuperar? Com tempo e pessoas que cheguem e transmitam credibilidade pessoal, emprestem sua imagem sem arranhões a uma imagem arranhada.
Sandro e Dado certamente não precisam do Rio Branco para tocarem suas vidas. Mas resolveram tocar a vida do Rio Branco. Não estão "usando" o clube por algum interesse pessoal, sugando um Tigre há muito combalido. Isso até pode parecer pouco, mas, tenham certeza, é muito para um clube tão judiado.
Ano que vem, antes de iniciar sua segunda caminhada na terceira divisão, o Rio Branco voltará também a disputar a Copa São Paulo de juniores. Outra boa notícia, depois da boa campanha no Paulista sub-17, que rendeu até uma convocação para treinamentos na Seleção Brasileira para o jovem Julio Vitor, o que há tempos não acontecia por aqui.
Rio Branco e categorias de base são duas coisas indissociáveis. Junte-se a isso, a volta ao clube de gente que, simplesmente, gosta do clube.
Se o time vai subir, nem eu, nem o Dado e nem o Sandro sabemos. Futebol nunca foi e nunca será ciência exata. Mas neste final de um ano que teima em não acabar (ainda faltam 21 dias...), o torcedor do Rio Branco encontra motivos para renovar as esperanças de um 2017 melhor.