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A história dos antigos Carnavais

Cosmópolis

ANDRÉ ROSSI COSMÓPOLIS | 09/12/2016-01:11:39 Atualizado em 09/12/2016-01:12:44

A jornalista, pesquisadora e secretária de Cultura de Cosmópolis, Carina Bentlin, lançará no começo de 2017 um livro que reúne diversas histórias dos antigos Carnavais da cidade, mais especificamente no período que vai de 1910 a 1960.
O projeto, batizado de "Outros Carnavais", foi possível graças ao acervo histórico do Centro de Memória de Cosmópolis e é realizado com apoio do ProAC (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo.
De acordo com a secretária, as fontes de pesquisa para a obra foram fotos e jornais da época, além de entrevistas com moradores antigos da cidade. O livro também abordará uma importante transição econômica na cidade.
"O Carnaval marca um período de mudança do rural para o urbano, quando a cidade começa a se desenvolver, e que é o período em que começa a acontecer o Carnaval. Também falo um pouco de como as pessoas se mobilizavam para isso. Você vê pelos jornais antigos que eles se organizavam bastante, que era algo que mexia com a comunidade, e era feito pelo povo, praticamente não tinha envolvimento do poder público", explicou Carina.
Uma das curiosidades que estará no livro é a forma como o preconceito racial se fazia presente no Carnaval. Segundo a secretária, brancos e negros não se misturavam nas festas.
"Uma das coisas relatadas por vários moradores (dos arredores) da Usina Ester é o chamado 'Carnaval dos brancos' e o 'Carnaval dos negros', porque era separado. Isso não está nos livros (de história), é sempre uma história renegada. (...) O baile de Carnaval dos funcionários, dos brancos, era no salão, e os negros faziam Carnaval com o eco da música que acontecia nos salões. Não que fosse proibido (deles entrarem), mas não era socialmente aceito. Era uma regra não dita", explicou Carina.
A data de lançamento ainda não está fechada, porém a previsão é de que o livro seja publicado em abril de 2017. A obra terá cerca de 120 páginas e a primeira tiragem terá mil exemplares.
"É uma maneira a mais da gente preservar a história da cidade e contar de um jeito diferente, com as vozes das pessoas que viveram aquilo. É uma coisa mais humanizada, que estará registrada para o nosso povo", disse Carina.
O livro é uma produção particular da secretária e não tem envolvimento direto da Prefeitura de Cosmópolis.