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Alexandre Kalil é eleito em BH

Eleições

FOLHAPRESS BELO HORIZONTE | 31/10/2016-00:12:50 Atualizado em 31/10/2016-00:12:34
Hoje em Dia | Folhapress
KALIL | Empresário foi eleito com 53% dos votos válidos

Eleito com 53% dos votos válidos em Belo Horizonte, o empresário Alexandre Kalil (PHS) impôs uma derrota, em casa, ao grupo comandado pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves.
Ex-presidente do Atlético (MG), Kalil concorria contra o ex-goleiro do clube e deputado estadual João Leite (PSDB), que teve a candidatura articulada por Aécio.
Vitorioso no primeiro turno, Leite foi ultrapassado nas pesquisas pelo concorrente e passou a fazer duros ataques, com ajuda de aliados de Aécio, como a irmã do senador, a jornalista Andrea Neves.
Em seu primeiro discurso como prefeito eleito, Kalil disse que conversará com outros partidos e políticos -inclusive o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), mas não Aécio, que é "adversário".
"Vou conversar com o PSB do prefeito [Marcio Lacerda], com o PT do governador [Fernando Pimentel], com o PSDB, vou tentar conversar com o Geraldo Alckmin", afirmou.
Interrompido por uma repórter que perguntou "e Aécio?", ele respondeu "não". E continuou: "com expoentes de todos os partidos, como o presidente Michel Temer".
Questionado novamente, o prefeito eleito diz que Aécio é adversário e fez propaganda contra ele na TV. "Opositor não é inimigo. Não sou inimigo de ninguém, mas tenho direito de escolher com quem vou sentar", afirmou. Com os olhos marejados, Kalil disse que "chorou no quarto, sozinho com a mulher" por causa das acusações que fizeram contra ele.
Na sede do PSDB em BH, Aécio disse que assumirá o papel de oposição na capital mineira após oito anos. "A nós caberá o papel de fiscalizá-lo [Kalil]", afirmou. "Diferente do futebol, onde a gente empata, na política a gente ganha ou perde", completou.
Ao seu lado, Leite disse que o partido não foi derrotado, mas vitorioso nas eleições municipais "sob a liderança do senador Aécio Neves". Leite disse ainda estar "preocupado" com as abstenções, brancos e nulos. "A negação da política proporciona um ambiente para o autoritarismo. Espero que isso não aconteça em nossa cidade." O slogan de campanha de Kalil era "chega de político".
Durante toda a campanha, o prefeito eleito foi questionado por adversários -e frequentemente por Leite no segundo turno- a respeito das dívidas de duas empresas dele, que devem R$ 18 milhões à Fazenda Nacional. Na semana passada, também tinham cerca de 2.000 títulos protestados em cartórios.
Criminalmente, Alexandre Kalil foi condenado na primeira instância da Justiça Federal por apropriação indébita previdenciária. Teria deixado de repassar ao INSS contribuições de funcionários. Kalil nega e recorre da sentença.
Kalil tem 57 anos e comandou o Atlético de 2008 a 2014. Em sua campanha, pediu votos de eleitores descrentes com a "má política". O ex-cartola tem dito que não fará novas construções na cidade, mas que irá "botar para funcionar o que está aí"