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Uma outra Americana

TODODIA Express

ANDRÉ ROSSI AMERICANA | 26/08/2016-22:41:37 Atualizado em 26/08/2016-22:45:24
Claudeci Junior | TODODIA Imagem
Gilberto Mancilia | Aposentado

Fundada oficialmente em 27 de agosto de 1875, Americana tem uma história muito ligada à indústria têxtil. Graças a sua rápida industrialização nesse ramo, que começou a aparecer logo em 1875 com a Fábrica de Tecidos Carioba, a cidade atraiu muitos trabalhadores, que construíram a vida no município.
É o caso do pintor industrial aposentado Gilberto Mancilia, 63. Ele nasceu no interior de Minas Gerais e trabalhou até os 21 anos na lavoura com a família. Entretanto, a oferta de empregos em Americana fez com que todos seus familiares se mudassem para a cidade paulista.
"Viemos para cá, graças a Deus. Tudo que eu consegui está aqui. A tecelagem era muito forte por aqui, não faltava emprego. Antes eu só trabalhava na roça, mas aprendi a ser pintor em Americana. Não tem o que reclamar", disse.
A tranquilidade da cidade é um dos motivos pelos quais Mancilia nunca teve a intenção de se mudar. "É um lugar muito mais tranquilo do que São Paulo. No interior o povo é humilde. Moro no (bairro) Zanaga, consegui minha casinha, tenho aposentadoria. Agradeço muito por tudo isso", afirmou Mancilia.
Já as lembranças mais nostálgicas do aposentado Maurício dos Santos Barbosa, 52, envolvem a antiga Vila Carioba, região onde ele cresceu. Quando era menino, costumava assistir aos jogos do Rio Branco contra o Carioba, que era o time do bairro. Na época havia uma rixa entre as equipes, já que ambas queriam ser conhecidas como a representante da cidade.
"Todo mundo ia lá assistir. Você sabia que o Rio Branco perdia muito para o Carioba lá? (risos). Eram bons jogos. Tinha os troféus no museu", contou.
Além de atrair trabalhadores imigrantes, Carioba também oferecia várias possibilidades de educação e lazer. Por várias décadas foi o centro da atividade têxtil, que depois acabou "transferido" para a Vila Americana, principalmente a partir de 1940.
"Quando eu era moleque, tinha canoagem lá no ribeirão. Era muito limpo. Pessoal adorava passear por lá. Era um tempo muito bom", disse Barbosa.
Também há quem se lembre da época em que Americana "era tudo mato". O aposentado Pedro Ernesto Batista, 68, conta que quando era criança o principal centro comercial da cidade era formado por pequenos armazéns, onde moradores realizavam as compras do mês.
Todo mundo se conhecia. Não tinha essas grandes redes, era só armazéns. Não tinha nada aqui (região central), era tudo terra, mato. A gente pescava, nadava em rio. Americana era muito boa naquela época", lembrou.
SAIBA MAIS
Americana foi fundada em 27 de agosto de 1875, com a chegada da Estação Ferroviária, época em que a região era dividida pelo Ribeirão Quilombo. Em 30 de julho de 1904, passou a ser Distrito de Paz de Vila Americana e em 12 de novembro de 1924, a cidade se emancipou de Campinas.