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Envolvida em corrupção, Delta atuou no governo Perugini

Hortolândia

ARTHUR MENICUCCIHORTOLÂNDIA | 08/07/2016-23:29:06 Atualizado em 08/07/2016-23:49:46
Arquivo | TODODIA Imagem
PERUGINI | Ele afirma que contrato ocorreu dentro da legalidade: acordo previa obras de pavimentação com empresa suspeita de desvio em obras no Rio

A construtora Delta, envolvida em corrupção, segundo investigação da Operação Saqueador, desdobramento da Lava Jato conduzida pela PF (Polícia Federal), manteve contrato com a Prefeitura de Hortolândia para pavimentação de ruas em 2007. Na época, o acordo firmado entre a administração e a construtora chegou a ser investigado pelo MPE (Ministério Público Estadual) por suspeita de fraude em licitação e gerou uma recomendação à prefeitura. No sábado passado, a PF prendeu Fernando Cavendish, ex-dono da construtora - uma nova decisão mandou soltá-lo ontem.
A empreiteira foi alvo da Operação Saqueador, deflagrada pela PF na última quinta-feira. A partir das delações premiadas do ex-senador Delcídio do Amaral e de executivos da Andrade Gutierrez, investigadores apontaram que a empreiteira desviou e lavou R$ 370,4 milhões de obras públicas no Estado do Rio de Janeiro para firmas de fachada criadas pelo contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o empresário Adir Assad, que foram detidos.
Além deles, o empresário Marcelo Abbud, 63, e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta, também foram presos.
'CARONAS'
O contrato entre a Delta e a Prefeitura de Hortolândia foi firmado durante gestão do ex-prefeito Angelo Perugini (PDT), atualmente deputado estadual. O valor do contrato, que previa obras de pavimentação, era de R$ 1,1 milhão. Na época, o promotor Marcelo Di Giacomo Araújo abriu inquérito para investigar suposta irregularidade licitatória, apontando que a administração havia pegado "carona" em uma licitação feita pela Prefeitura de Campinas um ano antes. Nos mesmos moldes da concorrência do Executivo hortolandense, a concorrência da cidade vizinha, realizada por menor preço, também foi vencida pela Delta.
O inquérito durou até 2014, quando a Promotoria analisou que a prática não resultou em prejuízo ao erário de Hortolândia. Em 17 de janeiro, o MPE recomendou que o Poder Executivo não realize mais a "carona" em licitações e, em 4 de fevereiro, arquivou a apuração. De acordo com o MPE, a utilização de "caronas" é prerrogativa de órgão federais.

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