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Radar deve prever fenômenos

Cidades

ARTHUR MENICUCCI CAMPINAS | 15/06/2016-21:08:49 Atualizado em 15/06/2016-21:08:05
Divulgação
REUNIÃO DO CONSELHO | Equipamento ficará na cidade pelo menos por dois anos

Uma pesquisa do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Especiais), em conjunto com a USP (Universidade de São Paulo) e o Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Aplicadas à Agricultura), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), levará para Campinas um radar de dupla polarização capaz de realizar a previsão de temporais e fenômenos como tornados e microexplosões. O equipamento ficará na cidade por dois anos. Neste mês, Campinas foi atingido por microexplosões, segundo o Cepagri. O fenômeno causou um rastro de destruição na cidade.
O anúncio foi feito pela pesquisadora do Cepagri Ana Ávila, que apontou que a pesquisa consiste em desenvolver um sistema integrado e informatizado para prever os fenômenos. Além do radar, estão previstos satélites, um modelo numérico de previsão de tempo e sensores de raios conectados a uma plataforma online que atualizará automaticamente.
"O radar propriamente dito tem um raio de ação de 60 quilômetros. Se uma nuvem estiver nessa área do radar ele pode enxergar o que tá acontecendo dentro dessa nuvem", explicou Ana, que compõe o corpo de pesquisadores do projeto, chamado SOS Chuva.
"Um fenômeno como esse que aconteceu em Campinas, tem 20 a 30 minutos de antecedência de previsão. Um alerta deste, de verdade, de que um evento severo vai ocorrer (...) ocorrerá de 20 a 30 minutos antes", explicou ela.
O equipamento deve ser instalado em agosto em um terreno elevado próximo à Fazenda Argentina, na Unicamp. O local foi cedido pela universidade e uma empresa construirá a torre.
A pesquisadora apresentou o projeto aos prefeitos presentes ontem na reunião do Conselho de Desenvolvimento da RMC (Região Metropolitana de Campinas) e reforçou que seria importante ter essa tecnologia de forma definitiva, mesmo após os dois anos da pesquisa. "É isso que a gente quer. A região comporta um sistema desses (...) É um sistema extremamente inovador aqui no Brasil, e vai ficar uma rede instalada de transmissão de dados. Só vai faltar o radar. Tem um custo, tem, mas ele abrange uma área de 60 quilômetros?".
SISTEMA ONLINE
Segundo a pesquisadora, o Cepagri não tem corpo de funcionários suficiente para monitorar o sistema todo o dia, e o serviço será disponibilizado online para as prefeituras. "Nós não temos gente operando 24 horas, então o que nós vamos fazer é deixar disponível no site e no aplicativo essas informações. A atualização é online. A cada sete minutos gera uma imagem e disponibiliza", apontou.
"Se quiser (montar) um sistema de alerta, vai estar disponível no sistema, e a gente pode treinar (funcionários)", acrescentou. A realização do projeto foi aprovada em dezembro do ano passado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que o financiou em R$ 3,5 milhões.
TECNOLOGIA
A pesquisadora do Cepagri afirmou que o radar de dupla polarização consegue "enxergar" dentro das nuvens e, por isso, diagnosticar os fenômenos. Diferentemente do radar tradicional, utilizado no País, este compreende a movimentação e entende, durante a formação do fenômeno, de que tipo será.
"É a capacidade que ele tem de enxergar o interior das nuvens. Banda S é o tradicional e o Banda X percebe qual a movimentação das nuvens", afirmou. Segundo ela, essa é a tecnologia utilizada nos Estados Unidos, por exemplo. A diferença é que a quantidade de radares de dupla polarização cobre grande parte do país, acrescentou.