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Acusado de estuprar duas garotas é preso

Cidades

LUIS CAPUCCI SUMARÉ | 06/06/2016-23:55:00 Atualizado em 06/06/2016-23:54:18

Um funileiro de 25 anos que admitiu ter estuprado a cunhada de 11 anos, em Sumaré, conforme publicou o TODODIA no domingo, foi preso na manhã de ontem. Porém, a detenção dele se deve ao estupro de uma garota de 10 anos, ocorrido em 2015, pelo qual também é acusado. O funileiro já ficou preso no ano passado por este segundo crime, mas vinha respondendo pelo caso em liberdade, até um novo mandado de prisão ser emitido ontem.
Em relação ao caso de 2015, através da assessoria de imprensa do MPE (Ministério Público Estadual) o promotor Ricardo Ferracine declarou que não poderia revelar mais detalhes, uma vez que o processo corre em segredo de Justiça.
Em relação à outra vítima, segundo a Polícia Civil, o pai da menina de 11 anos só descobriu que ela estava sendo abusada pelo cunhado na manhã de sexta-feira. Em depoimento, o homem relatou que levou a filha até o hospital porque ela estava passando mal. No local, foi constatado que a criança estava grávida e ela revelou os casos de estupro para os pais.
Em depoimento, o funileiro, que é casado com a irmã de 16 anos da menina, confessou os crimes, disse que estuprou a criança 11 vezes e que acredita ser o pai do bebê, segundo a polícia.
Apesar de confessar, o homem foi liberado. A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) diz que não havia situação de flagrante.
LIBERAÇÃO
O delegado seccional de Americana, Paulo Tucci, declarou que a decisão da DDM em liberar o homem foi baseada no artigo 157 do código de processo penal. O artigo diz que "quando a infração deixar vestígios será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado".
De acordo com Christiano Jorge dos Santos, professor de direito penal na graduação e na pós-graduação da PUC (Pontíficia Universidade Católica) de São Paulo, a justificativa é absurda. "Isso é uma bobagem. Um equívoco absurdo. Muitos abusos não deixam vestígios", opinou Santos. No entanto, ele aponta que a decisão por não prendê-lo não é incorreta. "Tecnicamente é correto, se não é flagrante. Mas existe a possibilidade de pedir prisão temporária ou provisória. Passa pela subjetividade do delegado"
"Se tratando de uma menor de idade e o homem sendo reincidente no crime, seria indicado que fosse pedida a prisão temporária dele", declarou a advogada feminista Ana Paula Braga, que atua em um escritório especializado em atender mulheres, em São Paulo.