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Casa é local de 70% das agressões

Hortolândia

ANDRÉ ROSSIHORTOLÂNDIA | 08/07/2016-23:29:26 Atualizado em 08/07/2016-23:54:06

Sete em cada dez casos de agressão ou violência sexual contra a mulher em Hortolândia acontecem na casa da vítima. É o que aponta uma cartilha distribuída a profissionais de saúde, assistência social e educação, com o objetivo de melhorar o atendimento do poder público a vítimas de violência sexual. O material compilou dados de 2010 a 2014.
A cartilha "Fluxo do atendimento à pessoa em situação de violência sexual" foi lançada pela prefeitura na semana passada em uma audiência pública sobre o tema.
Dos 1.749 casos de violência notificados em Hortolândia nos cinco anos, 60% foram contra mulheres, sendo 75,8% de violência física e 5% de violência sexual (74 estupros). A faixa etária onde há o maior número de vítimas é dos 29 aos 39 anos. O principal local de ocorrência de violência contra a mulher é a própria residência da vítima, em 70,57% dos casos.
Em relação a crianças e a adolescentes, 52% das notificações são de violência física, seguido de 44% de notificações de casos suspeitos ou confirmados de violência sexual, somando-se no quinquênio 240 casos. A incidência da violência contra a criança e adolescente em Hortolândia, de acordo com a análise das Fichas de Notificação da Violência, é de 1,6 casos por grupo de 1.000 crianças/adolescentes. E com relação às mulheres, a incidência é de dois casos para cada mil mulheres.
De acordo com a psicóloga Ana Lúcia Denadai Schmidt, responsável pelo Núcleo de Prevenção das Violências e Promoção à Saúde, vinculado à Secretaria de Saúde, está sendo colocada em prática uma série de ações para melhorar atender as vítimas.
"Estamos implementando o Atendimento Integral à Pessoa em Situação de Violência Sexual, no HMMMC (Hospital Maternidade Municipal Mário Covas), especialmente para a violência sexual que aconteceu nas últimas 72 horas e demanda atendimento de urgência. Até então essas vítimas eram encaminhadas para a cidade de Campinas. Também fizemos nos últimos anos capacitações para prevenção da violência sexual, junto aos profissionais da educação", explicou.
"O enfrentamento da violência sexual demanda ações intersetoriais e específicas para cada tipo de violência. Por exemplo: se os dados mostram que a violência sexual contra a criança ocorre mais de domingo à tarde em determinada região, a Cultura, por exemplo, pode ir nessa região com alguma atividade que tire essa criança de casa e diminua a vulnerabilidade dela", opinou Ana Lúcia.