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Modernizar para economizar

TODODIA Express

ARTHUR MENICUCCIREGIÃO | 28/05/2016-00:02:38 Atualizado em 30/05/2016-20:58:31

Substituir instalações antigas por alternativas sustentáveis gera redução do consumo de água e energia e, em consequência, pode diminuir gastos em pelo menos 20%, aponta o gerente de Sustentabilidade Condominial do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), Geraldo Bernardes. A colocação de arejadores (uma espécie de chuveirinho) nas torneiras, por exemplo, diminui em 80% o consumo de água de cada equipamento, segundo ele.
A síndica profissional e psicóloga Sandra Helena Fernandes aponta que de modo geral as medidas ainda são caras e sofrem restrição na hora de serem aprovadas pelos condôminos.
De acordo com o gerente do Secovi, o primeiro passo é criar uma comissão em sustentabilidade no condomínio. "É quem vai propor, acompanhar as alterações e principalmente divulgar os resultados para o condomínio. Essa comissão tem o papel importantíssimo de estabelecer metas, também". Segundo ele, esse grupo analisará os recursos e colocará prioridades de investimentos.
Para ele, as mudanças devem ser graduais e começar com adaptações no sistema de água. A colocação de arejadores nas torneiras, que oxigenam e reduzem o fluxo, é um começo. Controladores de vazão nos chuveiros e nas torneiras, para equilibrar a pressão em todos os andares do prédio, além de instalação de torneiras com fechamento automático nas áreas comuns, são outras medidas possíveis. "Chega a reduzir até em 45% do consumo de água. Nós temos que fazer isso porque os recursos naturais estão acabando".
A próxima etapa seria, segundo a recomendação do especialista, aplicar medidas na iluminação. "Substituir todas as lâmpadas do prédio por incandescente ou luz natural. Sempre que possível colocar gerenciador de iluminação de garagem, para automatizar", aponta. Ele diz ainda, que pode-se trocar lâmpadas de LED T5 nos saguões de entrada e na garagem.
"Com certeza posso colocar que quem aplicar a sustentabilidade no condomínio vai ter a cota condominial mais baixa. Não vai ter vacância de apartamento, vai ser alugado mais rapidamente. Um condomínio sustentável é um argumento de marketing muito grande", afirma. Segundo ele, condomínios que aplicaram essas medidas conseguiram reduzir a conta de água e energia em 20%, pelo menos.
Há, ainda, mudanças mais severas propostas por ele. "Na piscina, pode fazer aquecimento da água utilizando o trocador de calor. Ele pega água da piscina, tira o gelo dela e joga a água de volta. Inclusive pode usar o ar frio para usar ar condicionado na área comum do prédio. Chega a reduzir em 85% o consumo em relação ao aquecedor à gás e energia elétrica", afirma.
RADICAIS NÃO
Sandra Helena Fernandes aponta que, apesar da importância da conservação ambiental, o preço das tecnologias ainda afasta os condôminos desses gastos. "Essas medidas elas são caras, costumam ser bem caras aos moradores. Trocar todas as lâmpadas por LED é muito caro. (...) Quando fala em duzentos postes, 20 banheiros, isso pesa muito no final para o condômino", aponta.
Ela diz, porém, que as mudanças são feitas de forma gradual, à medida que os equipamentos dão defeito. Há a consciência sobre sustentabilidade, segundo Sandra. "(A sustentabilidade) entra na manutenção diária. Quebrou, conserta, mas não é tudo de uma vez. Aí vai trocando por um produto melhor, mais amigo do meio do ambiente", explica.
O síndico do condomínio Porto Ville Galleria, Luiz Eduardo, afirma já houve proposta de trocar lâmpadas incandescentes por LED, mas foi rejeitada pelo preço. "A gente até viu, mas cada holofote de LED custa R$ 600 para a área externa", informou. Ele diz que o condomínio pouco discute a sustentabilidade. "A gente tem outras prioridades agora", finaliza.