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Reconciliação é 'difícil', diz síndica

Condomínios

ANDRÉ ROSSIDA REDAÇÃO | 25/04/2016-22:56:39 Atualizado em 25/04/2016-23:07:08

Uma das funções do síndico é intermediar situações de conflito entre moradores do condomínio. É recorrente que pequenos atritos surjam entre vizinhos de prédio, dos mais diversos tipos, desde reclamações de barulho durante a noite até o modo como o carro é estacionado na garagem. Porém, uma vez que o atrito ocorreu, é difícil que aquelas duas pessoas voltem a conviver bem.
Essa é a opinião da psicóloga e síndica profissional Sandra Helena Fernandes, que atua como gerente operacional em um condomínio em Sumaré, e como diretora de outro conjunto habitacional em Campinas. "Depois de instaurado o problema, fica muito difícil de resolver. Dificilmente vão voltar a fazer as pazes. Qualquer coisinha que acontecer, por menor que seja, sempre será motivo de briga para eles", opinou.
Nos condomínios em que atua, Sandra busca proporcionar diversos eventos com foco na integração entre os moradores. Para ela, esse é o método mais eficiente para minimizar os riscos de desentendimentos entre vizinhos.
"O importante é promover a integração. Fazer uma verdadeira promoção social. Realizar um dia de cinema para todo mundo, com pipoca grátis, aproveitar datas festivas para realizar eventos, como festa junina, entre outros. Assim você incentiva o convívio e minimiza a possibilidade de ruídos entre os moradores", explicou Sandra.
Existem casos em que o desentendimento entre vizinhos chega ao nível de ofensas e até mesmo ameaças. Foi o que ocorreu em Americana no dia 17 de abril, quando um casal registrou um BO (boletim de ocorrência) depois de ter uma discussão com o vizinho. A situação saiu tanto do controle que o bate boca só foi encerrado depois de a mulher pegar uma faca e ameaçar o vizinho.
Nesse tipo de situação, dificilmente é possível uma reconciliação. "Vejo muito mais pessoas se mudarem depois disso do que uma reconciliação. Chega em um momento de estresse tamanho que a pessoa prefere sair do ambiente", disse Sandra.
Para a psicológica e síndica, falta nas pessoas a noção de que a vida em condomínio é uma vida de interação social. "É difícil para muitos moradores entenderem que eles fazem parte de um conjunto. É comum ver a pessoa usar a academia, por exemplo, e deixar o aparelho lotado de pesos, sem pensar que pode vir uma senhora de idade para usar a mesma máquina. Não pensa no outro", contou.