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Caetés na luta pela preservação

Santa Bárbara d'Oeste

ANDRÉ ROSSISANTA BÁRBARA D'OESTE | 29/03/2016-00:48:19 Atualizado em 29/03/2016-23:07:42
Divulgação
TRADIÇÕES | Com raízes na tribo Caeté, Rosivaldo passa as lições da ecologia aos alunos e mantém as tradições cultivando plantas medicinais

Rosivaldo Pereira dos Santos, 55, conhecido popularmente como Caeté dos Santos, não cresceu em uma aldeia. Não passou os primeiros anos de vida morando em uma oca, tampouco teve de usar tanga. Entretanto, apesar de não ter vivenciado a vida indígena, Santos manteve viva a tradição da tribo dos caetés, da qual ele é descendente, e continuou o cultivo de ervas medicinais, conhecimento adquirido de geração em geração.
Além de manter uma fazenda especializada nessas ervas em Santa Bárbara d'Oeste, o índio também se envolve em projetos culturais e sociais na cidade. O mais recente deles foi o projeto Gota d'Água 2016, desenvolvido pelo DAE (Departamento de Água e Esgoto) e pela Prefeitura de Santa Bárbara d'Oeste para conscientização dos alunos das escolas municipais.
Nas palestras para os estudantes, são abordados temas como o uso racional da água e dos recursos naturais. O projeto foi uma iniciativa do Consórcio PCJ (Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), no início de 2015.
"Fazer com que as crianças vejam a importância de se manter os mananciais limpos, por exemplo, é fundamental para a cidade. Tem que preservar a natureza, os animais, as ervas. É todo um ecossistema. Precisamos uns dos outros", disse o índio Caeté Santos.
A chefe de divisão de Educação Ambiental de Santa Bárbara, Mônica Tortelli, afirmou que a ideia de contar com a presença do índio nas palestras foi motivada pela relação que os povos indígenas tem com a natureza. "No caso do Caeté dos Santos, mesmo vivendo fora da aldeia, ele não perde esses valores, e sabe da importância de conscientizar especialmente as novas gerações para que possamos viver de forma mais sustentável. Portanto, tornou-se um grande aliado a esse projeto", afirmou.
O projeto será realizado até outubro, com palestras e atividades interativas com os alunos dos primeiros anos da rede municipal de ensino. Ao todo, cerca de 1,7 mil crianças participarão das atividades, que ocorrem no Museu da Água e tem a coordenação pedagógica da Secretaria Municipal de Educação.
A TERRA
Nascido em Caculé, na Bahia, Caeté dos Santos trabalhou por quase 30 anos na área industrial, na RMC (Região Metropolitana de Campinas). Quando se aposentou, comprou seis alqueires de terra e criou o sítio Nossa Senhora Aparecida, no bairro rural Cruzeiro do Sul, em Santa Bárbara d'Oeste.
No local, são plantadas cerca de 450 espécies de ervas medicinais, que ele distribui gratuitamente para os que precisam. O local também já foi utilizado para estudos de campo de alunos da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), de Piracicaba, e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
"Peguei os conhecimentos dos meus ancestrais para fazer o sítio. Trabalho com a identificação farmacológica das ervas, para o que cada uma delas serve. O objetivo é resgatar essa identidade natural que estamos perdendo. Muitas pessoas adoecem hoje por causa da alimentação não adequada, porque não comem verduras. É isso que mantém a vida saudável, essa relação com a terra, com a natureza", disse.