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A visão clássica de um clássico bíblico

Paixão de Cristo / Nova Odessa

22/03/2016-21h45 - Atualizado em 22/03/2016-22h51

Com mais de 45 anos de teatro, o diretor João Prata conhece a Paixão de Cristo como poucos. Em seu currículo, são 13 edições da tradicional peça em Piracicaba, período no qual conseguiu expandir o evento em termos de estrutura e também de participantes. Dos 70 atores que integravam o elenco quando ele assumiu, o número saltou para 1,2 mil, sendo considerada a peça teatral ao ar livre com o maior número de participantes.
Depois desse longo período em Piracicaba, Prata aceitou o desafio, em 2005, de comandar a peça em Nova Odessa. Foram seis anos ininterruptos de trabalho. Após alguns anos se dedicando a outros projetos, o diretor reassumiu o trabalho em 2015 e, na edição deste ano, comandará os trabalhos mais uma vez.
Apesar de toda essa experiência, Prata encara cada novo trabalho como se fosse o primeiro. "Paixão de Cristo é um espetáculo delicado. Você vai em cima de um fio de navalha. Se você errar, o que é muito fácil, pode de repente cair no ridículo. Tomo muito cuidado com efeitos especiais, porque se você fizer uma cena que cause um pequeno riso em uma pessoa do público, você estraga a cena, e pode perder o espetáculo", explicou.
Com o desafio de renovar a cada ano uma peça cuja história já é conhecida por todo o público, Prata aponta que a estratégia é tirar e acrescentar cenas, mudar cenografias e realizar modificações pontuais. Entretanto, o diretor sempre mantém os aspectos clássicos da peça.
"O público quer aquele espetáculo convencional mesmo. Às vezes nem é interessante modernizar. É um momento muito especial por causa da Semana Santa e as pessoas esperam por algo mais clássico. Você percebe que quando acaba a peça, as pessoas saem tocadas, emocionadas, choram. É gratificante você ver esse resultado do seu trabalho", explicou o diretor.
O estilo clássico de Prata foi o que fez a Secretaria de Cultura trazê-lo de volta para comandar a Paixão, como explica o secretário da pasta, Leonardo Blanco Costa. "Ter o João (Prata) é um diferencial. A população de Nova Odessa sempre aceitou muito bem a maneira tradicional de se apresentar a Paixão, e o estilo do João é isso. É um diretor que trabalhou em Piracicaba, que se tornou referência, e tem um estilo muito próprio de dirigir", disse.