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A preparação, o choro e a felicidade

Paixão de Cristo / Nova Odessa

22/03/2016-21h16 - Atualizado em 22/03/2016-22h57

O choro foi inevitável. Ele era um novaodessense diante de oito mil pessoas, em uma apresentação teatral a céu aberto, bem no Centro de sua cidade. Na arquibancada, todos os seus familiares. Sua entrada no palco foi ao lado da Virgem Maria. O nervosismo, a ansiedade e a felicidade se confundiam, e foram expressadas através das lágrimas que escorriam pelo rosto de André Gustavo Dextro Mauerberg, que interpretava Jesus Cristo pela primeira vez na Paixão de Cristo, em 2008.
"Foi a primeira vez que encarei uma plateia daquele tamanho. Família na plateia, Maria do meu lado. Quando eu entrei, todo mundo começou a aplaudir. Fiquei mais nervoso ainda e as lágrimas vieram. Dei a primeira fala e fui me acostumando com o ambiente, aí se tornou natural. Passou despercebido do pessoal porque a distância do palco era longa", confidenciou o intérprete de Jesus.
Membro da Igreja Batista Central de Nova Odessa, o engenheiro de produção Mauerberg, 37, começou a vida teatral dentro da própria instituição religiosa, no ministério do teatro. Já naquela época, interpretava Jesus nas apresentações da igreja.
Porém, o convite para integrar a Paixão de Cristo veio da Secretaria de Cultura da cidade. "A responsável pelo departamento na época disse que eu tinha que ser puxado para a Paixão, por causa da forma como eu interpretava. Fui fazer o teste com o João (Prata, diretor atual da peça) e ele aprovou. Foi assim que começou", lembra Mauerberg.
Desde então, foram quatro apresentações na Paixão, sempre como Jesus. Nos anos anteriores, a preparação que antecedia o evento incluía deixar a barba e o cabelo crescerem, ouvir as falas da peça no carro e também no celular para decorá-las, e fazer algumas horas extras de interpretação e treino.
Agora mais experiente, Mauerberg explicou que a preparação é mais espiritual. "Vai chegando perto da semana de apresentação e eu vou relembrando os passos de Jesus até a ressurreição, lembrando que ele morreu na cruz para nos salvar dos nossos pecados, e acreditar que ele é o único salvador da nossa vida", explicou.
Perguntado se pretende continuar interpretando Jesus nos próximos anos, a resposta foi imediata. "Sim, opa. Continuarei fazendo com o maior prazer".