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Em audiência tumultuada na Câmara, autores de pedidos defendem o impeachment

Brasil e Mundo

folhapress brasília | 30/03/2016-23:08:41 Atualizado em 30/03/2016-23:08:38
Câmara dos Deputados
clima quente | Deputados da comissão do impeachment

Em audiência tumultuada da comissão da Câmara que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a advogada Janaina Paschoal, uma dos três autores da acusação, disse que "sobram crimes de responsabilidade" no pedido apresentado.
"Tenho visto vários cartazes dizendo que impeachment sem crime é golpe, e essa frase é verdadeira. Mas estamos diante de um quadro em que sobram crimes de responsabilidade", disse Janaina, citando as pedaladas fiscais, a assinatura de decretos não numerados sem o aval do Congresso liberando crédito extraordinário, e o "comportamento omissivo-doloso de Dilma "no episódio do petrolão".
"E isso (petrolão) está na denúncia, e eu não abro mão dessa parte. É um conjunto."
Outro autor do pedido, o advogado Miguel Reale Jr. (ex-ministro do governo FHC) também fez questão de ressaltar que houve crime de responsabilidade. "Crime não é apenas pôr a mão no bolso do outro e tirar o dinheiro, é eliminar as condições deste País de ter desenvolvimento, cuja base é responsabilidade fiscal", disse Reale.
Segundo o jurista, as pedalas são "crime, e crime grave". Janaína foi muito aplaudida quando falou que o governo do PT acredita "que o BNDES é deles, tanto é que só os amigos foram agraciados nestes anos todos, que a Caixa Econômica Federal é deles, que Banco do Brasil é deles".
Logo após a exposição dos dois juristas, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) classificou a fala dos autores do pedido como "comício político".
Houve bate-boca entre parlamentares dos dois lados, que levantaram cartazes de "Impeachment Já" e "Impeachment sem crime é golpe".
O presidente da comissão, Rogério Rosso (PSD-DF), encerrou a sessão porque começariam os trabalhos no plenário. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) reclamava a jornalistas sobre a decisão de Rosso, quando Caio Nárcio (PSDB-MG) o empurrou. Os dois tiveram que ser separados por colegas.
Em evento oficial transformado em palanque contra o afastamento da petista, a presidente Dilma Rousseff reconheceu que o dispositivo do impeachment está previsto na Constituição Federal, mas insistiu que pedir a perda de mandato presidencial sem crime de responsabilidade "é golpe".