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Planejar para quê?

Opinião

28/01/2016-00:27:50 Atualizado em 28/01/2016-00:33:29

O prefeito Omar Najar (PMDB) não se cansa de dar exemplos de sua falta de capacidade de planejar qualquer coisa. O episódio do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), que iria vencer ontem, acreditem, leitores, sem que o contribuinte recebesse o boleto para pagá-lo, é de desafiar qualquer senso de lógica.
Até anteontem, a prefeitura batia o pé e dizia que não iria alterar a data de vencimento do imposto. Não recebeu carnê? Vá à Internet e imprima um boleto que não discrimina qualquer informação sobre o imposto, só tem o valor. Não tem Internet, se vira.
E o governo ainda atribuiu parte da culpa pelo fato de os carnês não terem chegado, pasmem, à Câmara. Tudo bem que o Legislativo provavelmente será culpado em nove de dez acusações que se lhe fizer, mas essa é uma daquelas situações em que os vereadores apenas cumpriram seu papel - é raro, mas às vezes eles fazem isso.
Ora, o prefeito não sabe que a Câmara tem um prazo regimental para avaliar projetos de lei? Contava então que se aprovasse no afogadilho, veio em chinês, vai em chinês? Aliás, não fosse a Câmara pressionar a prefeitura e "demorar" para votar o projeto do IPTU, o contribuinte teria um imposto muito mais caro a pagar, haja vista que o governo Omar queria promover a revisão da planta de valores, o que geraria, no caso do acréscimo mais extremo, elevação de nada menos que 490% no carnê. Como sempre é bom lembrar o que dizem os políticos, cabe rememorar que Omar afirmou, em maio do ano passado, que não iria aumentar impostos sem consultar a população. Não consultou, claro.
No fim, diante da polêmica, o governo Omar recuou (expressão que quase tem virado um pleonasmo) e propôs só o reajuste da inflação - embora agora surjam relatos de altas maiores.
Claro que cada vez mais deveriam causar menos surpresa as ações de um prefeito que chegou a anunciar a demissão de 800 concursados para cortar gastos, para depois não ter certeza, mudar de ideia, recuar (bingo) e, por fim, não demitir nenhum. Só pra dar um friozinho na barriga do servidor.
O que surpreendeu de verdade nessa história do IPTU foi o rompante de bom senso que Omar mostrou ontem, mesmo tardio, ao prorrogar por tempo indeterminado o prazo para pagamento, pelo lógico motivo de os carnês não terem chegado a seus donos. Como todo mundo sabe, nem todos têm acesso à Internet. Omar parece que descobriu isso ontem. Por que não prorrogaram antes? Não se "cogitou". Simples assim. Frase do secretário de Finanças, Valmir Frizzarin, sobre tudo isso. "Não prorrogamos ontem (terça-feira) porque era uma questão de responsabilidade mesmo. Americana não está em condições de abrir mão desses recursos". E agora, por acaso, Americana está em condições?
A impressão que fica é que o secretariado de Omar vai fazendo as coisas no atropelo, e Omar, meio por falta de costume de fazer diferente, meio por estar perdido, vai tocando o barco. Aí toma paulada da população, como no caso da IPTU, e resolve agir. Bom, nem tudo está perdido. Ao menos ele ainda dá ouvidos às críticas.