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O longo prazo

Opinião

02/12/2015-00:56:52 Atualizado em 02/12/2015-00:57:01

A chuva que transformou ruas de Campinas em verdadeiros rios no domingo foi atípica pela quantidade de água. O resultado, porém, pode ser comum toda vez que cair temporal semelhante. Como mostrou o TODODIA na edição de ontem, o sistema de escoamento da região central é projetado para uma população menor, está desfasado, segundo especialista, e só uma reestruturação completa resolveria o problema.
Só que a prefeitura já adiantou que não há obras previstas por causa do alto custo das intervenções. A estrutura precária não é exclusividade de Campinas.
O cenário visto na cidade há três dias só não se repetiu com mais frequência em toda região, provavelmente, em função da crise hídrica que fez as chuvas ficarem mais escassas.
Como deve demorar um pouco para se observar precipitação semelhante e como também não houve tragédias, deve se esquecer o assunto logo. Afinal, pra que mexer no que dá problema só de vez em quando? Sinal de como as administrações municipais se preocupam pouco em deixar bases para realizações cujos frutos provavelmente não vão colher.
Só que o problema de escoamento é grave e comum a muitas cidades, pois o sistema, via de regra, é ultrapassado.
É preciso incluir a preparação das cidades contra enchentes e represamento de águas nos planos dos governos municipais, mesmo que a médio ou longo prazo - embora esse tipo de planejamento praticamente inexista no âmbito de administrações municipais.
O que não pode é o poder público saber que há uma situação grave a resolver e, por falta de dinheiro ou por dificuldade de tirar obras do papel, simplesmente deixar como está sem se preocupar em como vai ficar, até que se atinja o caos - e é exatamente isso que acontece em muitas áreas, principalmente atreladas ao urbanismo.
Questões como essas deveriam estar contempladas nos planos das administrações, com prazos para ações bem definidos. Esperar de administradores locais um compromisso com o longo prazo, com o futuro da cidade, porém, é um pouco de ingenuidade. É preciso legitimar e dar mais poder a conselhos municipais com participação popular que tenham caráter de formular políticas públicas e de fiscalizar as ações (e a falta delas) no poder público. E é imprescindível criar mecanismos mais eficazes que obriguem prefeitos a apresentar planos de metas com propostas a curto, médio e longo prazos e a seguirem o que se planeja.
Só se reduziu, aliás, a farra na gastança do dinheiro público com uma medida simples, direta e com penas rígidas: a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).
É preciso criar mais leis ou normas que direcionem a conduta do administrador para que seja, cada vez mais, um gestor voltado aos temas de interesse público, e cada vez menos um governante livre para trabalhar pelo próprio legado.