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Construção do marco

Santa Barbara d Oeste 197 anos

Atualizado em 03/12/2015-23:58:57

Viúva duas vezes, herdeira única das propriedades do pai, sabe-se que no ano seguinte à viuvez Margarida comprou uma sesmaria na região conhecida como Toledos, em referência à primeira família que teve terras na região. Além dos filhos, ela ainda tinha - segundo o Censo da época - familiares do marido, de sobrenome apenas Martins, morando no engenho e registrados na contagem de população como "agregados" à propriedade.
O historiador Antonio Bruno identificou, com data de 1818, o documento que depois se tornaria a certidão de nascimento da cidade, que é o papel cedendo área à Cúria para a construção de uma igreja, assinado em 4 de dezembro. Além da doação da área, ela ainda cedeu material para a construção da igreja, de barro e pau a pique.
A área dela ainda foi loteada para outras propriedades e o Censo dos anos seguintes registra propriedades com até mesmo um maior número de escravos.
MORTE
Não há registros sobre os motivos de Margarida ter deixado a região, em 1821, mas foi no mesmo ano em que perdeu a filha Maria. Os registros apontam que ela foi morar em São Paulo e, anos depois, seus filhos Manuel e Belchior voltaram à região e fixaram residência. A mãe só morreu aos 81 anos e, segundo registros, por causas naturais.
Ela foi enterrada em São Paulo, no Cemitério da Consolação, mas em 1967 a ossada foi trazida a Santa Bárbara, para a praça da Matriz, onde, segundo o Cedoc da Fundação Romi, foi construída a primeira igreja. Não há mais em Santa Bárbara d'Oeste uma propriedade que faça uma linha direta com o primeiro engenho.
O QUE ACONTECEU EM 1817?
EM 1817
l Quando Dona Margarida chegou a Santa Bárbara, o padre Manuel Aires de Casal escreveu a Corografia Brazilica, ou relação histórico-geográfica do Reino do Brazil (sic). No livro ele descreve as regiões do País com base em rios e bacias. O livro foi impresso pelo império e com autorização por escrito do rei Dom João VI, que detinha o poder de autorizar ou proibir publicações na época.
l Nasceu, na França, Pierre Larousse, que dá nome à famosa coleção de enciclopédias.
l Estourou a revolução pernambucana contra o domínio português.Curiosidades
ESCRIVÃO E VEREADOR
Os filhos Manuel e Belchior voltaram à região anos depois da saída da família para cuidar dos negócios. O primeiro foi o primeiro escrivão e o segundo, presidente da Câmara de Santa Bárbara, de acordo com o Cedoc da Fundação Romi. Belchior chegou a ser juiz de paz na cidade.SEM BRAÇOS
Filha única e viúva duas vezes, Dona Margarida herdou terras e propriedades do pai e de dois maridos. Entre as heranças está um dos primeiros engenhos do Brasil, na região de Santos, e um escravo de quase 60 anos que, pelos registros, não tinha ambos os braços e foi mantido com a família.
CRESCIMENTO
Como dona de engenho no século 19, a maior parte dos trabalhos na sesmaria de Dona Margarida era baseada em escravos. No primeiro ano de trabalho dela, o Censo registrou a existência de oito escravos, número que nos anos seguintes aumentou para 33. Três feitores ainda foram apontados nos registros do engenho.
FRANCISCO, ANTONIO, DOIS...
Os primeiros escravos registrados pelo Censo de 1818 em Santa Bárbara eram originários do Congo, Cabinda (Angola) e Costa da Mina (Golfo da Guiné). O grupo de oito negros que tinha entre 19 e 39 anos se chamava Bárbara, Paulo, Mateus, Rafael, Gregório, Francisco, Dois (sic) e Antonio, nenhum deles se identificou como nascido no Brasil. Ninguém declarou sobrenomes. Além da cana, o engenho de Dona Margarida também produziu feijão, milho e produtos para subsistência. Depois de alguns anos, o Censo já registrava propriedades com mais escravos e moradores do que a sesmaria da fundadora, que deixou Santa Bárbara em 1821.