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Mulher de vanguarda

Santa Barbara d Oeste 197 anos

04/12/2015-01:15:27 Atualizado em 04/12/2015-01:20:37

Aos 13 anos, Margarida Graça Martins se casou pela primeira vez, com um comerciante 24 anos mais velho. Viúva aos 17, voltou a viver com os pais, que tinham um pequeno engenho na região litorânea, e casou-se novamente aos 26 anos com um sargento militar, com quem teve cinco filhos (uma delas, Maria, morreu ainda criança, em 1821). O segundo marido morreu em 1816.
Até aí, nada de diferente. Aos 35 anos, em 1817, começava a jornada que a faria entrar para a história por feitos incomuns para uma mulher na época. Mudou-se com os cinco filhos, entre 1 e 10 anos, uma série de agregados, escravos e feitores, para tocar a sesmaria que havia comprado na região. Senhora de engenho, plantou cana, feijão, milho e após um ano nas terras fez o gesto considerado como marco de criação de Santa Bárbara d'Oeste, que hoje completa 197 anos. Doou área para povoado e igreja, além de ter auxiliado nas obras da construção.
Não há documentos que comprovem que ela tenha sido a primeira ou única senhora de engenho do período, mas estudos de historiadores, como a da professora e pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Mary Del Priore, que tem pesquisas sobre a mulher no período colonial, mostram a mulher brasileira do período como uma dona de casa, reclusa e dedicada à criação dos filhos, sem grande participação na política ou na economia.
Apesar de ser considerada a fundadora de Santa Bárbara d'Oeste, poucos conhecem a história de Margarida Graça Martins. Mesmo moradores mais antigos da cidade pouco têm informações sobre a senhora de engenho que viveu em Santa Bárbara nos primeiros anos da cidade. "Eu sei que ela doou o terreno para a primeira igreja e mais nada", disse o aposentado Antonio Domingues, 84. O operador de caldeira Sidney Alves, 31, foi ainda mais longe no desconhecimento histórico. "Só sei do aniversário da cidade porque é feriado."
Por ter vivido em um período longínquo e ter passado a maior parte da vida em Santos e São Paulo, os registros do curto período dela na região explicam pouco quem foi Margarida Graça Martins (1782-1864). Em 1969, o historiador Antonio Bruno publicou no Jornal d'Oeste uma longa pesquisa que fez sobre a fundadora. O documento é tido pelo Centro de Documentação da Fundação Romi como o mais aprofundado sobre a vida de Margarida. Bruno percorreu as cidades onde ela morou e levantou registros de Censo feitos nos séculos 18 e 19. Foi ele que coletou as informações que abrem esse texto (leia mais nas páginas 2 e 4).