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Governo na UTI

Opinião

28/11/2015-23:03:18 Atualizado em 28/11/2015-23:03:26

Não há dúvidas de que é um fardo ser prefeito. São centenas de problemas a resolver, pouco dinheiro em caixa e ter de ficar na ingrata posição de depender de muita gente para fazer as coisas acontecerem. Para fechar a inglória rotina, é preciso estar preparado para ser alvo de uma cobrança sem piedade por parte de moradores e imprensa. E que o chefe do Executivo não espere ser reconhecido como gostaria por seus feitos.
É esse o cenário que se encontra para administrar uma cidade. É um fardo. Mas é a vida. E não é surpresa. Quem disputa, e ganha, uma eleição pode ser tudo, menos bobo ou ignorante em relação ao que vai encontrar. Omar Najar (PMDB), prefeito de Americana, está no topo da dificuldade administrativa, por ter assumido uma cidade em frangalhos. Em pouco tempo, já vê seu governo envolto na segunda grave denúncia de direcionamento em licitação.
Desanimado, disse anteontem, diante da denúncia de que a superintendente do Ameriprev, Joanina Silveira Rosa, teria atuado para direcionar uma licitação, que é preciso separar as autarquias da prefeitura. "(...) O que acontece no Ameriprev, o que se passa no DAE, o que se passa na Gama, a gente fica sabendo quando a coisa acontece". Como?
Não é o prefeito que nomeia os gestores das autarquias? Não era Omar o chefe de Joanina? E ele deixa os gestores tocarem as autarquias sem lhe dar satisfação? Será que Omar não faz a menor ideia do que é que o DAE faz para não faltar água nas casas de Americana ou para tratar o líquido corretamente?
Essa postura de "que posso fazer?" é inaceitável. Se o prefeito não pode fazer nada para fiscalizar de perto o trabalho das pessoas que ele mesmo escolheu para lhe ajudarem a governar a cidade, quem é que pode? Deixemos tudo nas mãos de Deus?
O discurso "Oh céus, oh vida" do prefeito já ultrapassou qualquer limite. É imprescindível que faça o que incrivelmente não fez ainda em dez meses de gestão: tomar as rédeas do governo. É difícil, mas ninguém lhe disse que seria fácil.
O prefeito precisa participar das decisões e cobrar constantemente seus secretários e gestores das autarquias. Uma reunião semanal já serviria para o deixar a par dos problemas. Ou que exija um relatório semanal das atividades das pastas. Várias são as opções de gestão que Omar tem para, ao menos, ficar por dentro do governo.
A única postura que com certeza vai dar errado para identificar problemas e casos de corrupção é a atual, que revela um estranho distanciamento entre o prefeito e seus subordinados, como se o governo fosse, ainda, gerido por outra pessoa. Quando informado da gravação, Omar disse que Joanina é que tinha de procurá-lo para dar satisfação. Quer dizer que se ela não fosse até ele para entregar o cargo, o prefeito não iria demiti-la? Mesmo em Americana, algumas coisas ainda surpreendem.
Não foi só uma vez que o prefeito disse à imprensa que determinada questão tinha de ser feita ao secretário da pasta. Ele também ameaçou, pasmem, secretários de demissão pela imprensa. Como se estabelece uma relação de confiança e respeito dessa forma? Há horas em que fica a pergunta: alguém manda no governo?
Se continuar assim, Omar vai se arrastar no comando de um governo que caminha rumo à UTI. E quem vai pagar a conta do hospital não será as Indústrias Najar.