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Hora de explicar

Opinião

25/11/2015-00:19:39 Atualizado em 25/11/2015-00:19:47

Até agora, a Prefeitura de Americana tratou o caso Maestro como coisa menor. O próprio prefeito Omar Najar (PMDB) fez questão de se fazer de desentendido sempre que questionado, dando a entender que tudo havia sido resolvido com a suspensão do pregão sob o qual paira a suspeita gravíssima de direcionamento. Agora, uma nova informação contundente reforça a necessidade de a prefeitura, de preferência o próprio prefeito, explicar, com todos os devidos pingos nos is, o que até ora parece inexplicável.
Até os vereadores de sua base, ao melhor estilo "desqualifique o acusador para desviar o foco da denúncia", foram até a sede da empresa que denunciou o suposto favorecimento para tentar mostrar que ela não existia.
Deram com os burros n'água e ainda passaram vergonha ao ser enquadrados, dias depois, na própria Câmara, pelo advogado da dita empresa - e deixaram bem claro que se incomodaram mais com a postura do advogado lhes "peitando" do que com o suposto direcionamento da licitação, que é o que deveria estar em jogo. Fato: a empresa Maestro enviou um orçamento à prefeitura que é cópia idêntica de parte de um edital, que foi lançado depois - e tal empresa não deveria ter como saber o que havia no edital.
Suspeita: prefeitura baseou o edital na proposta da empresa, direcionando o certame para que ela ganhasse. Explicação da prefeitura: o governo Omar diz que, na verdade, mandou um e-mail às empresas interessadas, antes da licitação, e foi de lá que a Maestro copiou as informações.
O TODODIA mostrou, porém, que há trechos na proposta da Maestro que não estão neste e-mail, mas que estão no edital. A prefeitura então deu nova explicação, e disse que mandou um segundo e-mail às empresas, e foi de lá que a Maestro copiou o resto. Só que, até hoje, a prefeitura não mostrou esse segundo e-mail ao TODODIA.
Omar e ninguém na prefeitura explicam porque estão escondendo esse suposto e-mail.
Agora, nova suspeita. Há, no meio do processo administrativo relacionado a essa licitação, dois orçamentos da mesma empresa, a SW, com dois valores diferentes. O presidente da CEI (Comissão Especial de Inquérito), Valdecir Duzzi, suspeita que um dos orçamentos tenha sido fraudado, para que parecesse que a SW também teve acesso às mesmas informações que a Maestro - ou seja, se duas tiveram acesso às mesmas informações, não teria havido direcionamento. Em entrevista concedida ao repórter Thomaz Fernandes, publicada nesta edição, o diretor da SW, Sidnei Silva, diz que não fez o segundo orçamento.
E o que a prefeitura disse? Nada. Ao contrário de seus primeiros meses no cargo, em que produziu muito falatório e teve de recuar de muitas afirmações que fez, Omar agora tem ficado calado. E pensar que antes de eleito ele dizia que a imprensa teria amplo acesso ao seu governo.
O prefeito deve muitas explicações de uma suspeita que vai tomando cada vez mais ares de escândalo. O silêncio, nesse caso, cada vez mais vai contra a velha máxima de que quem não deve, não teme.