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Ajude-o a passar o Natal em casa

Cidades

LEON BOTÃO | 19/11/2015-23:57:59 Atualizado em 19/11/2015-23:55:13
Reprodução | TODODIA Imagem
HUGO XAVIER | Campanha no Facebook visa encontrar um doador compatível com o jornalista

No plano original, Hugo Xavier estaria desde junho na Irlanda estudando inglês e trabalhando. Ele já havia até avisado no trabalho no ano passado que pretendia ficar um ano no país europeu. A viagem, no entanto, foi "congelada" após o jornalista de 25 anos ser diagnosticado com leucemia, em janeiro deste ano. Hoje, depois de um autotransplante que teve pouco sucesso, o sonho dele é mais modesto, mas não tão fácil de alcançar: passar o Natal em casa.
Para ir atrás deste objetivo, ele iniciou anteontem uma campanha no Facebook para buscar um doador de medula compatível. Em 26 horas e 30 minutos, a publicação recebeu 5.133 curtidas e foi compartilhada por 7.293 pessoas. Apesar de surpreso com os números, Hugo sabe que a chance de encontrar um doador compatível é de uma em 100 mil.
"O fim de ano está diferente do que esperava. Não faço mais planos a longo prazo, não sei quanto tempo meu corpo vai aguentar (...) Não existe chance para quem tem leucemia a não ser encontrar um doador, mas mantenho o pensamento positivo e a fé em Deus, porque isso ajuda no tratamento", afirmou o jovem.
Ele está internado no Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em Campinas, desde segunda-feira, quando fez um exame de rotina que apontou que a doença havia retornado antes do previsto. "Fiz o chamado autotransplante em maio, e geralmente a doença só volta um ou dois anos depois, mas a minha voltou muito rápido", explicou Hugo.
Formado em jornalismo na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas, em 2011, Hugo disse que, caso fosse escrever uma reportagem sobre si mesmo, diria que ele é uma pessoa que quer mais tempo para poder viver os sonhos. "Queria casar, ter filhos, investir na carreira, mas nem penso nisso agora (...) A vida fica interrompida por um tempo. É um período à parte da vida", disse.
Hugo cresceu e mora em Hortolândia, mas estudou e trabalhava em Campinas. Ele disse que ficou surpreso em ter a doença, mas não se desesperou, porque já havia escrito matérias sobre o assunto e sabia que havia tratamento. O jornalista costumava correr até sete quilômetros em volta da Lagoa do Taquaral, comia alimentos integrais e evitava tomar refrigerantes justamento por saber que alguns contém substância que podem causa câncer.
"No começo me perguntava muito 'por que eu', mas agora não faço mais isso, porque aí o sofrimento fica maior. A doença não escolhe, é genética", afirmou. Hugo não perdeu a fé em encontrar um doador compatível, mesmo depois da irmã dele fazer o teste e o resultado ser negativo. "Espero que, (com) as pessoas se cadastrando nos bancos de sangue, eu encontre um doador e muitas outras pessoas que têm a doença, também", concluiu o jornalista.