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Artilheiros brotando

Lance Livre por Claudio Gioria

17/09/2015-19h01 - Atualizado em 19/09/2015-01h07

A fila anda.
E uma fila que costumava demorar mais para andar, agora anda mais rápido.
É a fila dos artilheiros de seleções.
O último craque a "cair" foi Bobby Charlton, que viu Wayne Rooney deixá-lo para trás na lista dos maiores goleadores do English Team ao marcar pela 50ª vez.
Estamos em uma época pródiga de artilheiros. Sim, hoje se joga mais e a média dos artilheiros de antigamente geralmente é superior. Mas é digno de registro que jogadores históricos com marcas que muitas vezes vinham de anos estão ficando para trás.
O maior artilheiro francês é recente, Thierry Henry, que fez 51 e deixou bem para trás Platini, com 41. Klose quebrou a marca na Alemanha chegando a 71, superando ninguém menos do que Müller, 68. Robin Van Persie, ainda em atividade, se consolidou como número 1 da Holanda com 49, assim como Roque Santa Cruz, 32 gols pelo Paraguai.
O lendário Eusébio já havia sido superado por Pauleta, mas Cristiano Ronaldo deixou os dois comendo poeira ao chegar a 55 gols por Portugal. A Espanha não tem mais Raúl no topo, mas David Villa, que fez 59.
Por décadas, Héctor Scarone, que nem eu nem você vimos jogar, foi o artilheiro máximo uruguaio, com 31, até recentemente ser superado por Forlan (36) e agora por Suárez (43). Rydell, sueco que jogou nos anos 20 e 30, fez 49 e por anos liderou a lista em seu país. Até aparecer Ibrahimovic, hoje com 56.
Os maiores artilheiros russo e norte-americano estão em atividade. Kerzhakov fez 30 gols com a camisa da Rússia, enquanto os dois primeiros dos EUA são Donovan, 57, e Dempsey, 48.
Aqui pelas Américas, marcas estão prestes a cair. Ou alguém duvida que Messi rapidamente irá superar os 56 gols de Battistuta - já tem 49? Ou que o mexicano Chicarito Hernandez, hoje com 40, deixará os 46 de Borgetti para trás? Ou ainda que o chileno Alexis Sanchez, que já fez 27, tem boas condições de superar os 37 de Salas? Ou por fim que Falcao Garcia, com 20 gols pela seleção colombiana, não fará mais seis para superar Iguarán.
Neymar ainda está longe de Pelé, mas aparece com grandes chances de superar o Rei, com média maior em comparação à de Pelé com a mesma idade.
Poucas são as seleções no mundo de centros de maior expressão que um grande nome não desponta para destronar os antigos. A Hungria é uma delas. Só "existiu" para o futebol mundial na era Puskas, e é justamente ele que reina tranquilo no país, com 84 gols. Entre os jogadores em atividade, quem mais se "aproxima" é Gera, bem distante com seus 24.
E a Itália, sempre famosa pela sua economia de gols e que tem Riva no topo da lista com apenas 35 tentos, mesmo assim bem à frente dos dois maiores artilheiros da atualidade, Gilardino, 19, e De Rossi, 17.
Baseado em dados do maior arquivo do futebol mundial na Internet (é fantástico), o www.rsssf.com, dos 44 jogadores com 50 gols ou mais por uma seleção, nada menos do que 28 jogaram nos anos 2000.
Podemos até reclamar que o futebol de hoje não tem a mesma qualidade do de antigamente. E também que as partidas tinham mais gols que hoje. Mas seremos injustos se reclamarmos da falta de artilheiros.
O "ZÉ DIRCEU" CAIU
Caiu o Zé Dirceu do Blatter. O braço direito do presidente da Fifa está fora após mais uma denúncia de escândalo envolvendo a entidade. Jerome Valcke é para Blatter o que Blatter foi para Havelange. Blatter aprendeu com Havelange. Valcke aprendeu com Blatter.
Ninguém se surpreendeu. Não por causa de Valcke em si. Mas o que vem da Fifa - e da política brasileira - não assusta mais ninguém.
Perceba como grandes estruturas, quando são alvos de denúncias de corrupção, em geral estas começam de baixo. E muitas vezes vão crescendo, crescendo até que chegam a um Zé Dirceu ou a um Valcke.
Pra subir o último degrau é que a coisa pega de verdade. A não ser que alguém bata com a língua nos dentes, essas estruturas e as pessoas escolhidas a dedo para lugares estratégicos são todas moldadas para que se chegue ao máximo no penúltimo degrau.
Chefões em geral não operam nada de ilegal. E podem dizer o resto da vida que nada sabiam. Mesmo que para isso se autoproclamem, logicamente, incompetentes para a função. Mas nesse caso é melhor ser apenas incompetente mesmo.
Diante de tantas denúncias, Brasil e mundo afora, de pessoas tentando levar vantagem com o dinheiro alheio, começo a chegar à conclusão que o erro da humanidade é delegar a um ser de sua espécie tanto poder assim, com rios e mais rios de dinheiros passando pelos seus olhos. Aí, são poucos os olhos que não "crescem".
O homem não foi feito para administrar um dinheiro que não é dele. Se fosse, teríamos pelo menos mais exemplos positivos do que negativos de administradores do dinheiro alheio. Não é o caso da Fifa. Não é o caso do Brasil.
TÚNEL DO TEMPO
Há exatos 71 anos, era inaugurado em Porto Alegre o Estádio Olímpico, do Grêmio, que venceu o Nacional do Uruguai por 2 a 0, gols de Vitor. É o único grande clube brasileiro que "trocou" de área nessa leva de estádios novos pelo Brasil. Deixou o Olímpico, hoje ainda às ruínas, e foi para outro lugar para fazer a Arena do Grêmio. Os outros ou demoliram e fizeram novos estádios no mesmo local (como Palmeiras e Inter, por exemplo) ou aproveitaram o boom para enfim ter um estádio próprio, como o Corinthians.
dica de leitura
Existem certas iniciativas pouco divulgadas na mídia que merecem muito mais destaque. Uma delas acaba de sair do forno, o livro "O Generalíssimo - Amilcar Barbuy", de Maurício Sabará. Como conta o jornalista Celso Unzelte no prefácio, Amilcar, para Antônio Pereira, um dos cinco fundadores do Corinthians, foi inferior somente a Pelé. Alguma coisa então deveria jogar... Vida em detalhes e carreira, inclusive com relação de jogos e tudo mais, estão no belo trabalho de Sabará (na foto acima, segurando seu livro).