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Clima seco põe 12 cidades em estado de alerta na RMC

Cidades

Autor: CLAUDETE CAMPOS REGIÃO | - 12/08/2014-20h09 - Atualizado em 13/08/2014-00h33
Claudeci Junior | TodoDia Imagem
Claudeci Junior | TodoDia Imagem
Área onde ocorreu incêndio na Represa Salto Grande, em Americana: agosto é o mês mais crítico para queimadas

Doze das 20 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas) entraram em estado de alerta ontem porque a umidade relativa do ar estava abaixo de 20%. Outras oito cidades da região estavam em estado de atenção, porque a umidade ficou entre 20% e 30%. A OMS (Organização Mundial de Saúde) preconiza que índices abaixo de 60% são inadequados para a saúde humana. Para agravar este quadro, as queimadas urbanas e na zona rural têm se multiplicado na região, o que agrava ainda mais o quadro respiratório. Com isso, os prontos-socorros e os consultórios registram aumento na procura de atendimento em até 25%.
Historicamente, a umidade do ar é mais baixa no final do inverno e início da primavera e entre 12h e 16h. Este cenário é agravado pela crise hídrica enfrentada na região, com a baixa vazão dos rios. Essas condições climáticas causam complicações alérgicas e respiratórias devido ao ressecamento das mucosas; sangramento pelo nariz; ressecamento da pele; irritação dos olhos; eletricidade estática nas pessoas e em equipamentos eletrônicos; e aumento do potencial de incêndios em pastagens e florestas.
A pneumologista Mirella Povinelli, coordenadora do pronto-socorro do Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), informou que também há alteração brusca na temperatura durante o dia, o que facilita a propagação de vírus e piora a condição respiratória. Então quem sofre com as condições climáticas adversas são as pessoas que têm tendência alérgica, as crianças e os idosos.
No inverno, explica o pediatra Paulo Roberto de Almeida, com a umidade relativa do ar muito baixa, não há formação de nuvens e isso aumenta a amplitude térmica, ou seja, temperaturas mínimas muito baixas e máximas elevadas. Com isso, as células da mucosa nasal e da traqueia sofrem com a produção de mais muco e instalação de germens nas vias respiratórias.
Segundo Mirella, as pessoas devem tomar muita água e hidratar o nariz com soro fisiológico durante o dia. Também podem lavar os olhos com soro fisiológico. Mirella disse que esse clima seco também afeta quem trabalha em ambiente fechado. E lembrou que o ar condicionado resseca o ar, daí a importância da hidratação.
À noite, para dormir, a dica caseira é colocar uma toalha molhada no quarto ou uma bacia com água. Almeida orienta as pessoas a usarem vaporizadores nos quartos por duas a três horas na noite, para melhorar a respiração e garantir uma boa noite de sono. "A água é o melhor fluidificante que nós temos. Quanto mais água beber, melhor", disse o pediatra.
AUMENTO DA PROCURA
Com este cenário, aumenta a procura pela rede de saúde. "Temos notado aumento de 20% a 25% na procura do pronto-socorro por causa das doenças respiratórias e alergias, como renite alérgica, asma, sinusite e as complicações disso, as pneunomias", informou Mirella.
O pediatra Paulo Roberto de Almeida disse que também percebeu um aumento nos casos de crianças com traqueites (infecção causada pelo acúmulo bacteriano na traqueia, que pode causar obstrução das vias aéreas) e rinofaringites (inflamação da faringe nasal) por causa da baixa umidade do ar.